e eu não tenho mais a força
de dizer-te
- sai! sai do meu coração!
levanto somente e sós os olhos
à porta que range com teus passos
e digo
- vem. vem, velha assombração.
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Thursday, December 19, 2013
Wednesday, December 11, 2013
Sunday, December 08, 2013
Oh, sussurra-me um parágrafo ao ouvido, pode ser uma história de amor ou um acaso desconhecido. Traz-me palavras numa jarra sem flores ou traz-me sementes e diz «um dia escreverás debaixo da nossa árvore». Acende um cigarro e lê-me uma estrofe, ou apenas um pequeno verso, mas que diga por outras palavras o que não cabe em «eu te amo». Oh... sussurra-me um parágrafo. Ou grita-me um silêncio e com um gesto, para que me cale, cita cada linha e ponto do meu corpo e reescreve o fôlego do meu peito.
Iolanda Oliveira
Tuesday, November 12, 2013
Geraste um tornado no meu espectro
e ensinaste-me que,
uma vez do avesso,
é impossível juntas as peças para voltar
às sílabas do nosso mais-que-perfeito e
errante pretérito.
Esperei-te e o meu espectro límpido
dissolveu-se na espuma ácida do desaparecimento.
O esquecimento não é senão uma
dádiva e um tormento.
Quando as aves voam rente ao céu,
o meu peito sente-se longe.
Estive a pensar em ti.
[escrituras em folhas soltas de cadernos e diários perdidos]
e ensinaste-me que,
uma vez do avesso,
é impossível juntas as peças para voltar
às sílabas do nosso mais-que-perfeito e
errante pretérito.
Esperei-te e o meu espectro límpido
dissolveu-se na espuma ácida do desaparecimento.
O esquecimento não é senão uma
dádiva e um tormento.
Quando as aves voam rente ao céu,
o meu peito sente-se longe.
Estive a pensar em ti.
[escrituras em folhas soltas de cadernos e diários perdidos]
Monday, November 11, 2013
somos feridas abertas em
carne viva, expostas aos microorganismos do ar.
infecionamos e escorremos dolorosamente aromas
putrefactos.
chagas que se rompem pela madrugada
e ardem pelos sonhos.
insónia, insónia.
não há que ter pena,
a nossa existência é consumida por uma febre,
contagiosa e não há quem não sucumba.
a pele é um trilho de hematomas.
e de cicatrizes a de quem sobrevive.
carne viva, expostas aos microorganismos do ar.
infecionamos e escorremos dolorosamente aromas
putrefactos.
chagas que se rompem pela madrugada
e ardem pelos sonhos.
insónia, insónia.
não há que ter pena,
a nossa existência é consumida por uma febre,
contagiosa e não há quem não sucumba.
a pele é um trilho de hematomas.
e de cicatrizes a de quem sobrevive.
Thursday, November 07, 2013
Adeus
Quis saber se de sal se te cobrem os dedos
Ou se toda a tua pele possui ainda o toque
Cetim de outras vidas- cujos passos julgamos
Por nossos- e do amor, esse trapo bordado
A dois, com fios de seda e finíssima agulha.
Mas levanto minhas próprias mãos aos olhos.
Tanto tiveram de ensanguentadas de tanto
Te bordar carinho- esse retalho cuidado que
Tão levemente deitaste fora trazendo uma
Máscara de papel sobre o delicado rosto.
Há uma música longínqua no ar que nos
Recorda que o passado é para sempre nosso.
E que cada palavra tem a cor carmim do sangue
Derramado nesses lenços de amor. Escuta-la?
Dos interstícios da pele e do tempo, despede-se...
Wednesday, October 30, 2013
estou manchada a carvão
enegrecidos dedos tingem borrões
contínuos ao longo de uma calçada.
mármore gelada são os meus ossos,
retiro-me.
é um jogo exaustido e enundo-me.
dilúvios funestos de cansaço e
a frustração é ácida como a saliva.
desgostosa boca de um embaraço,
farto-me.
a irritação é um peso morto
flutuando livremente no espaço das
nossas mentes e diz-me, estimado
amante. quem não tem medo?
quem não tem medo de forças livres?
enegrecidos dedos tingem borrões
contínuos ao longo de uma calçada.
mármore gelada são os meus ossos,
retiro-me.
é um jogo exaustido e enundo-me.
dilúvios funestos de cansaço e
a frustração é ácida como a saliva.
desgostosa boca de um embaraço,
farto-me.
a irritação é um peso morto
flutuando livremente no espaço das
nossas mentes e diz-me, estimado
amante. quem não tem medo?
quem não tem medo de forças livres?
Sunday, October 20, 2013
Saturday, October 05, 2013
Friday, September 20, 2013
escuta a respiração da terra no meu corpo,
ligeiros movimentos que a rasgam e de seguida
a afundam.
observa o vento perscrutar o prado da minha pele
em leves arrepios e pérolas de orvalho.
e sente como o solo vibra quando chocas comigo,
a tentação é um sismo e nós uma catástrofe.
desfaço-me em ti sempre que uma onda morre numa rocha.
Friday, September 06, 2013
A vida arremessava templos
de paixões forçadas,
quando o amor devia ser a religião,
mas não.
E a minha vida arremessou-me em templos
e cada toque um auto de fé,
dissaboroso
Dissaboroso contentamento de ter...
e nada guardar
levar nos bolsos catedrais de corpos
e nelas o silêncio
dos que se consomem
em lascívias turbulentas e amortecidas quedas
Da natureza um grito mudo
longínquo vazar das vozes num rio
a percepção uma miragem
um uivo, um esvoaçar, um canto
Os pássaros morrem mal pousam no céu
iolanda oliveira
de paixões forçadas,
quando o amor devia ser a religião,
mas não.
E a minha vida arremessou-me em templos
e cada toque um auto de fé,
dissaboroso
Dissaboroso contentamento de ter...
e nada guardar
levar nos bolsos catedrais de corpos
e nelas o silêncio
dos que se consomem
em lascívias turbulentas e amortecidas quedas
Da natureza um grito mudo
longínquo vazar das vozes num rio
a percepção uma miragem
um uivo, um esvoaçar, um canto
Os pássaros morrem mal pousam no céu
iolanda oliveira
Saturday, August 31, 2013
Cometemos um deslize e a alça desliza, uma outra vez
- na procura pelos corpos satisfaz-se a alma e desfaz-se;
Das estrelas escorrem três gotas carmim,
- na roptura dos corpos desfaz-se a alma e satisfaz-se.
Afagam-se os peitos numa luta constante, embatem
- um no outro embatem, como mar em rochas;
Soltam-se os lobos e esvoaçam uivos, silenciosamente
- suspiro tristemente na tua pele o silêncio dos nossos gritos.
Tuesday, August 13, 2013
não sabes em quantos tons te despi oceano, amor
e te refiz em lágrimas quentes
não sabes em quantas pétalas rasguei meu nome, flor
e me perdi em espinhos aguçados
nem sabes que as palavras são apenas isso, palavras
e que a verdadeira dor carreguei-a eu.
nunca seremos donos de nossas mentes, vento
somente destroços de nossas próprias tempestades
e te refiz em lágrimas quentes
não sabes em quantas pétalas rasguei meu nome, flor
e me perdi em espinhos aguçados
nem sabes que as palavras são apenas isso, palavras
e que a verdadeira dor carreguei-a eu.
nunca seremos donos de nossas mentes, vento
somente destroços de nossas próprias tempestades
Iolanda Oliveira
Sunday, July 07, 2013
Sou um deserto
Caminhas pelo meu corpo com...
- as pontas dos dedos.
]qual areal em chamas
que calcas descalço[
que calcas descalço[
Sou um deserto.
Procuras algo
Será o abismo?
Está mais fresco lá
Está mais fresco lá
- eu tão cálida.
E é numa vertigem
Que te entregas
e
cais
- para dentro de mim.
Iolanda Oliveira
Sunday, June 30, 2013
Mescla de aromas,
Prazer vazio,
Quebra de nexos,
Tudo por um fio.
Já não quero ser poeta!
Tampouco ser artista...
Antes ser do que era
Quando o era na mentira.
Quebro-me e perco-me,
Em palavras; sempre palavras...
Já sei! Paga-me uma bebida!
Leva-me para a cama!
E esgota-me o grito
E dá-me algum prazer...
Faz com que me esqueça
Do que não consigo ser.
E dá-me algum prazer...
Faz com que me esqueça
Do que não consigo ser.
Violeta,
12 de Abril
Sunday, June 16, 2013
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