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Saturday, December 20, 2014

Amo-te e não sei exprimir corretamente como. Mas é como sofrer do maior prazer que existe.
Desaprendi de escrever bem e, contudo, vivo tão confusa quanto antes.
Pelo menos tu, és aquilo por que vale a pena viver e, meu querido, morrer também.

Tuesday, December 02, 2014

amanhã

na intimidade dos gestos
a nossa pele fala- promete
longamente
uma sede, que só os nossos
beijos cala.

e a temperatura eclode no limiar
dos nossos seres
quando nos confundimos
um no outro
e se misturam as sombras de ambos.

e és, sou, somos o ventre
de todas as possibilidades
que dançam nos nossos olhos
quando dizes- amo-te 
e eu também.

Wednesday, October 22, 2014

estiveste aqui há um momento
e eu sinto que já não te tenho há séculos.

Friday, October 03, 2014

e ele diz..
os teus olhos são lindos
e eu digo..
os teus são mais fundos

e é neles que me perco
quando ele me envolve 
e oiço a música surda
que só ele sabe tocar

os seus olhos desafiam o voo dos corvos
são mais fundos.


Tuesday, July 29, 2014

marulho

Habituei-me a escrever sob o marulho da costa, como se esse sussurrar fosse a minha própria agitação. No interior de mim, existe uma praia onde nos deixamos ficar, por vezes, em noites cheias de lua, e onde nos deixamos ficar sozinhos pois não há mais quem escute as ondas como nós.

Vou ao mar.
E tu vês-me entrar, vagarosa, com um sorriso pintado nos cantos nos lábios. Estendes a mão e nos teus olhos é como se me tocasses e fosse eu pequena e depois espuma. Há dias em que me sinto espuma a desfazer-se na areia molhada. Quando regresso, o cabelo gotejando sal, a minha pele arrepiada estende-se sobre a tua e é assim que nos confundimos com as dunas. Tu e eu, pequenos montes de areia apaixonados pelos ventos. A tua mão, percorre as minhas costas de uma ponta à outra e dizes-me ao ouvido que contarias cada grão de areia para saber dos infinitos onde se perdem os meus olhos.

Que te amo.
Sinto no meu ombro que os teus lábios formaram um sorriso. Há um extenso areal onde caminhamos e quando olho para trás e nos vejo, somos uma imagem gravada num espelho. Em cada onda, uma lembrança, e vês cometas caídos e desejas segredos. Neste lugar, nunca amanhece, somente a lua comanda o denso azul escuro e as estrelas. Estendes a mão e nos teus olhos é como se lhe tocasses e fosse a lua do tamanho de um polegar. Avanço, digo

Vamos caminhar.
A areia molhada convida-nos para a [eterna] noite de amor.

i.o

Friday, July 18, 2014

tu, tudo

há dias em que me deito sem saber escutar o som dos meus ossos, como um tempo perdido e abandonado dos relógios. sim, dias em que a amargura se cola à elasticidade dos nossos corpos e nenhum de nós tem vontade de fazer amor. não digas que me amas, não me apetece ouvir isso. os dias pálidos rastejam para dentro de nós e vertem as suas chuvas meladas para dentro do nosso peito, os nossos dias doces fermentam com o calor de verão. mas nem por isso o hábito nos deixa sós e a tua mão experimenta o interior do meu vestido. a minha, escala de cor o teu peito. o que seria de nós se não o fossemos? nunca na minha vida havia experimentado a tensão nas ancas da luxúria que é encontrar-te, mas há dias em que sentir-te é sentir-te longe e é sentir-me perdida de mim. sou dependente do teu aroma, da tua voz, calor e boca. amo assim com toda a força de um lobo, mas desfaço-me como uma lua cheia de papel de carta. entrego-te a posse dos meus sentidos, mas teimo em roubar-te do cimento da realidade para que flutues no sonho em que vivo. não compreendo, porque há dias em que nos deitamos sem saber escutar o som dos nossos ossos ou a melodia que fazem nos nossos encontros violentos. para o amor um sismo, nós somos uma catástrofe.

Tuesday, April 15, 2014

num balanço do meu corpo sou tua,
é assim que me agarras e prendes
como se toda eu fosse uma pluma
pousando em ti e ordenas: diz!
ao que a minha voz sucumbe e cai
num pequeno som murmurado junto à pele:
quero-te...
perco-me em cortinas de seda nos teus braços
e encontro o meu reflexo
num espelho partido dos teus olhos.
para o teu peito, um areal,
sou um barco que deu à costa. 

Monday, April 14, 2014

o teu nome

-devia restabelecer as minhas prioridades.
e por dentro houve algo que trouxe o óbvio à tona: tu, antes de tudo.
às vezes escrevo para ti como se todas as palavras coubessem num nome,
mas não cabem.

havia algo de cristalino no verde do prado, algo tão sagrado e tão próximo como se estivesse ao alcance de uma pequena flor amarela. colhi-a, à pequena flor, e entreguei nas tuas mãos o calor delicado da ternura. havia algo de igualmente cristalino nas copas das àrvores quando olhei para o céu enquanto guiavas e a música nos teus lábios era o antídoto da minha sede.

surges-me, como um sonho inventado por mim,
como uma impossibilidade materializada,
como um barco flutuando num lago que seguro nas minhas mãos.

surges-me, como uma luz iridescente na noite mais negra
como uma ave magnânima conduzindo-me pela sonolência
surges-me belo e quente,
e também assim me surge
o teu nome. 

deito-me, 
as tuas mãos sempre amparam a minha queda. digo o teu nome em voz alta,
e a lua responde-me com a tua voz.
digo o teu nome em voz alta,
e as estrelas calam-se para te ouvir respirar.

Sunday, March 30, 2014

A reconciliação

O tempo
é um dardo atirado ao nada de tudo o que nos pertence.
Saber de cor os traços do teu rosto e saber-te um enigma:
essa é a manifestação da fome e da sede na garganta muda.

Muda de silêncio-

O imenso.
O terrível-
Silêncio.

Como um corpo morto boiando à tona no rio do esquecimento. 
O frio cortante rasgando a pele, apertando os músculos, condensando o silêncio.
E tu estavas lá, ainda,
vivo.
Com o olhar perdido em ventos nórdicos e fitando o chão.
A distância intransponível era seguramente muito mais do que o passeio entre nós:
Era o silêncio-
O absurdo.
O doloroso-
Silêncio.

Saberás calcular a distância entre os trilhos dos nossos olhos? 
O orgulho como uma âncora;
Nós um navio afundado.
Mas eu nadei.
Nadei e rompi-o quando transpus o intransponível passeio entre nós e me descobri mais forte do que mim própria. 
Eu, como uma floresta densa e como um viajante perdido nela, simultaneamente. 
Meu amor, o sol queimou-me o rosto quando encontrei a clareira do teu alcance.

A reconciliação gradual:
o movimento lento do meu rosto no teu ombro,
os corpos habituados ao toque oscilando em rotações elípticas;
Em órbita um do outro:
Um move-se, o outro ajusta-se e aproxima-se lenta e suavemente como uma pluma flutuando no peito.

E então o Som,
na respiração, no pulsar do coração,
no calor da planície da tua pele escura;
O Som no choro,
nas lágrimas rebolando pela face;
No olhar que se encontra com o meu em ventos que deixam de fazer sentido.
No abraço, no beijo e nas palavras sussurradas ao ouvido.

Por ser difusa nunca compreendi o que é amar bem, 
mas amar-te erradamente foi a coisa mais certa que fiz. 
Habita-me, como uma manhã eterna.

Friday, March 14, 2014

O medo

 



















o medo de perder-te é já maior que tudo.
por dentro, alimento um silêncio absurdo;
um espelho onde vejo refratadas carnes nuas,
onde capturo os corvos do enigma e da volúpia.
o medo de perder-te,
mas não de um perder qualquer em que estás longe,
ou em que não estás.
é o medo de que acabes.
que dentro de mim se quebre
o espelho da lembrança.
que no carvão das minhas pálpebras
não alcance mais a tua luz.
que nenhum tom de saudade volte a ter a tua voz.
canta-me, 
som,
sol,
dó.

claridade.


os nossos corações são lugares crepusculares
o nascer do sol, uma promessa
sei que sem ti, 
não despertaria a nenhuma manhã. 

i.o

 

Saturday, February 01, 2014

delírios de ternura


abre-se no meu peito em brasas uma nódoa escarlate, um violento ciúme de um amor já putrefacto. não compreendes porque às vezes choro sem motivo, pois na verdade o motivo são todas as lágrimas que não te limpei. quero: rasgar um livro do tempo e reescrever tudo nele; abrir o vórtice da idosa saudade e senti-la por ti; raptar-te todas as rosas da memória e todos os vidros embaciados de amor
todos, amor, todos os sonhos que não sejam os nossos.
abro o baú dos séculos remotos e escuto o ecoar do teu antigo pulsar quente. como soubemos amar com tanto sangue. aqueço, o meu rosto cobre-se de rubor e lágrimas ascendem aos meus olhos de coloração indefinida. sinto inveja da tua dor, da dor que era dela, ela que não soube tomá-la e acalmá-la e eu que saberia ter-te amado melhor. 
o que eu queria era saber de cor o som dos teus passos, saber de que calma se te pinta o rosto quando dormes, que passados ocultas com o teu olhar de diamante. o silêncio é um grito absurdo quando este não é a ausência de som, mas sim as histórias interrompidas quando decides afinal não contar. morro e roo-me de inveja desses teus primórdios. 
quanto mais te amo, mais longe pareço estar do que é suficiente. quantos mais instantes de ternura temos como nossos, menos eles me parecem ser meus, como se não fosse eu a vivê-los. amo-te, mas não inteiramente porque, de cada pedaço teu que alcanço, encontro uma lacuna por preencher. onde estás quando não te encontro? diz-me, com que lâmina se rompe os amargos do pretérito? 
o egoísmo arde-me nas veias e eu quero-te apenas meu. o meu egoísmo, o meu complexo de solidão
quero que me ames com doce raiva e sangue fresco, como a ela, a ela que juraste sempre. o meu ciúme é doentio e sem sentido, incurável e venenoso.
o meu passado também nem sempre foi teu, e é por isso que te deixo vê-lo e te dou imagens dos meus piores e melhores momentos. não estiveste lá, mas eu sinto que sempre estiveste comigo. é a única forma de saberes em que locais ficaram os estilhaços de mim e me juntares de novo. mas tu, dás-me uma venda e um silêncio. dás-me um mapa sem caminhos traçados, sempre, sempre tudo por traçar. é por isso que não tenho como evitar perder-me em ti, e tropeçar em ideias vagas e soltas que murmuras para o lado. és confuso como tactear às escuras um solo árido à procura de algodão. 
a cada dia os meus pulmões enchem-se de falta de ti e a respiração afoga-me o tom. 
como me apanhaste na tua rede de palavras e modos de menino. já te falei de como o dia amanhece de cada vez que sorris? ou de como uma chuva de estrelas atravessa os teus olhos deixando para trás um brilho radioso? e ainda que sempre escuto uma criança travessa na tua gargalhada?
fazes parecer pouco pedir-te o mundo em comparação a pedir-te pisadas dos teus velhos caminhos.
talvez seja de mim, sentir demais o que não devo. 
nada disto faz sentido, estremeço como trigo ao vento mas sinto-me como um velho moinho em ruínas.
falaste de fazer amor entre os destroços. 
és o leito do rio em que caminho. calco trevos tenros de paixões proferidas ao sol de fevereiro.

Sunday, January 19, 2014

-um dia vamos poder ficar a dormir assim...
- assim- digo- entrelaçados. como nos textos que eu antes escrevia, sobre situações que nunca tinha vivido, excepto, por empatia.

roubamos uns minutos ao tempo para fingirmos que era eterno, que era nosso. fechei os olhos.
- a tua respiração é como o vento- confesso.

- o vento?
- na janela- toco-lhe no rosto cansado- os teus lábios são bonitos.
- são?
- macios. 

quis adormecer na sombra de um colo quente, no corpo que me rodeava e apertava- a pressão do peito nas costelas como uma fusão, podíamos ser um. a batida do músculo cardíaco era o meu néctar, embalo do meu choro e ainda não havia chorado. mas chorei, baixinho, quando senti o seu corpo deslocar-se de mim.
- queres ficar aí? eu sei o caminho- riu-se.
- não quero que vás, fica aqui- chorei.

as mãos acolhiam as minhas e os beijos apagavam o fogo dos meus, as saudades de casa doíam ainda antes da despedida; desentrelaçados.

Friday, January 03, 2014

       
       desejar ser livre beija-flor de pólen em pólen e de sobrevoar pequenos jardins silvestres em busca de nada mais que uma outra flor, essa mesma que tu colherias; tão nua para ti como um rio que raspa as margem e as inunda da sua frescura harmoniosa e límpida; ser nectarina que assomas aos lábios e sugas, saboreando com prazer a sua textura carnuda e o seu perfume adocicado e triste; ou desejar ser menina de vestido branco rossando os prados- cabelos a balançar no vento, trazendo-te os bolsos cheios de amoras doces e os cantos da boca manchados a púrpura; sonhar que me abres a porta de madeira com um beijo no ombro e que me preparas uma chávena de leite quente como se toda a nossa pureza permitisse que me fosses simultaneamente amante e pai; querer ver as nossas filhas de flor no cabelo brincando com o gato malhado ensonado do sol e de tardes estivais de verão; almejar ser vento fresco e brando que avança através das cortinas claras para te guardar o sono e voltar a ser eu pela manhã para que te beije sempre os dias, amor, porque és tudo o que eu preciso; ser natureza eterna enquanto a paixão for jardins intermináveis em que perdemos os fôlegos de contentamento; ser o céu que olhas quando te deitas comigo sobre a relva tenra, as nuvens para que apontas, os sonhos que dançam aos teus olhos quando as tuas pálpebras descaem sossegadas, as folhas amareladas de outono que te lembram tempos remotos de criança, o mar que te viu e vê chorar a dor tão imensa quanto ele; ser incansável como os anjos em tomar-te no meu peito
       e ser terra que abater-se-á sobre tua expressão delicada e teus olhos parados, quando o teu suspiro for o último e ecoe na minha mágoa, para que me funda à tua pele e preencha o lugar da tua carne e dos teus ossos- para que te continue e te transforme e te faça viver em mim, para sempre.

Sunday, December 22, 2013

esvaem-se os dias
nebulosos 
na ânsia aguda
de madrugadas
quentes,
no escuro conforto
gélido
dos estofos manchados;
um ponto de partida
vertendo
àguas salgadas
e beijos,
ser a lua
e tu a outra metade
oculta,
porém,
sem nenhuma verdade
encoberta
e sem vontade
de parar
o ciclo dos nossos peitos;
fôlegos acelarados
e gotículas de orvalho
sobre as nossas febres;
mãos 
que se enchem
de seios
e o balanço
dos ossos
quando a pele range
e rasga.
corpos desenhados
para caberem
um no outro,
como um agasalho
do tempo.
amo-te.

Friday, December 20, 2013

Exatamente como um sol, deixas um rasto caloroso sobre a pele quando afastas os caracóis do meu pescoço e entreabres os lábios- sopras. Acolhes os meus suspiros gélidos e os meus olhos fartos de tudo quando as tuas mãos encontram a temperatura das minhas ancas; 
                                                                                  -"estás quente", sorris
Enquanto me vais queimando, eu penso em como pode caber um vazio (meu) tão denso numas mãos tão delicadas (tuas). Do fundo do poço negro que é o meu peito, alcanço às escuras uma escada de corda, mas é custosa e exaustiva a subida;
                                                                                 - "não consigo", choro.
Há dias em que desisto. Fico parada a meio do nada e do tudo, semicerrando os olhos ao teu brilho intenso.
Desisto da subida que me leva a ti e dói;
                                                                                  - "amo-te", prometemos
Dói ver-te descer ao abismo para te encontrares comigo.
                                                                                

Sunday, December 15, 2013




















É como a uma flor
que tu contas pétala a pétala,
os afetos-
A mim despes folha a folha,
as palavras. 
Estamos deitados, 
enlaçados um no outro como
se por dentro de nós houvesse um nó cego.
Sobes, desces, na minha pele.
O chão mancha a minha pele de nódoas-
carvão e nebulosas arroxeadas. 
Mármore e Granito, eu e tu-
amor uma erosão, mas..
É como a uma flor,
que gota a gota regas e cuidas,
ainda que de cada vez que provas o aroma,
um espinho te rasga o tom.
Amor, não faças de mim um jardim de rosas,
como posso sê-lo e não te perder? 
Se todas as rosas são paixões aguçadas
e qualquer carícia é um ardor. 

beija-me perdão nos joelhos.

Tuesday, December 10, 2013

prata

ouve as vozes que afloram nos meus lábios
em tons húmidos e quentes de suspiros
e as danças que assomam nos meus cabelos
em piruetas de caracóis delicados,
beija-os- aos meus cabelos-
e deita-te sobre o veludo da minha pele.
segura as minhas ancas como se elas se 
                                               quebrassem
com o ímpeto sôfrego de nos querermos
quando o luar penetra o vidro embaciado
e nos unta de desejo.
sei que o meu corpo arrefece, que o toque
das minhas mãos é de um frio gélido
e te arrepia o tom moreno da parte de dentro
dos braços, das costas, do peito.
quero agarrar o teu cabelo como um punhado
de ervas tenras e segurar-me ao teu colo
para não me apagar e sentir calor. 
é isso- querer-te sempre por dentro de mim,
a peça que encaixa comigo. 
oh que me rasgues as pétalas! mas alivies os espinhos.
vem ter comigo nas noites de sempre e sê fugaz
para que te leve na memória em flashes demorados
de nos termos.
sabes que te amo? 
sabes de cor.

i.o


Wednesday, November 27, 2013

Porque me surges, amor? Nestes recortes de paixão a fogo, em flashes de nós e do que somos se o que é nosso ainda arde? 
                        Dizem que ao nos acercarmos do fim temos morosas lembranças do começo...

Amanheço tarde e desfaleço, tu, de onde estás, não me alcanças e na queda lembro-me que nenhum osso quebrado seria mais doloroso do que não te ter. Dentro de mim caio muitas outras vezes, continuamente e sem final, jurando eternas vertigens a um poço sem fundo. Mas uma mão penetra na vastidão densa das minhas profundezas e agarra-me pelo pulso, a outra mão, entra mansa pelas minhas roupas arrepiando-me e queimando-me a pele. Eu espero-te aqui, dorida das minhas quedas, numa varanda do sol que não me queima tanto quanto os teus suspiros e sonho com noites em que me beijaste as feridas e os joelhos.

Os teus olhos possuem agora o deslize tenro de um futuro sem nós, em que pensas? Sei que o meu coração tem vidros afiados de reflexos partidos e que quanto mais de amo mais te corto. O meu amor dói. 
E tu, feito de farrapos de prata quando, sob a lua, te deitas comigo, perdoas sempre cada mágoa com que friamente me envolvo, choro no teu ombro e a cada inspiração sinto as cinzas da minha fraqueza. Ambos trememos agora e há quanto tempo se tornou o nosso amor frio?

Uma varanda do sol que me cega o olhar. Um coração feito de espinhos. Asas e asas, de aves que amei. 

As tuas asas, amo-te melhor.

Monday, November 04, 2013

O sol desfazer-se-ia em pó 
e toda uma galáxia deixaria
de existir, se um dia o perco.

                                   «se um dia o perco»- e a possibilidade vibra 
                                   em redor de mim, fazendo-me estalar os tímpanos.

Sunday, October 20, 2013

um dia, conto-te dos poemas que me escreves por dentro da pele.
deve ser por isso que me queimam os teus beijos...
porque a tua boca, na minha pele, vai de encontro às palavras que lá deixaste,
por debaixo.

iolanda oliveira