Habituei-me a escrever sob o marulho da costa, como se esse sussurrar fosse a minha própria agitação. No interior de mim, existe uma praia onde nos deixamos ficar, por vezes, em noites cheias de lua, e onde nos deixamos ficar sozinhos pois não há mais quem escute as ondas como nós.
Vou ao mar.
E tu vês-me entrar, vagarosa, com um sorriso pintado nos cantos nos lábios. Estendes a mão e nos teus olhos é como se me tocasses e fosse eu pequena e depois espuma. Há dias em que me sinto espuma a desfazer-se na areia molhada. Quando regresso, o cabelo gotejando sal, a minha pele arrepiada estende-se sobre a tua e é assim que nos confundimos com as dunas. Tu e eu, pequenos montes de areia apaixonados pelos ventos. A tua mão, percorre as minhas costas de uma ponta à outra e dizes-me ao ouvido que contarias cada grão de areia para saber dos infinitos onde se perdem os meus olhos.
Que te amo.
Sinto no meu ombro que os teus lábios formaram um sorriso. Há um extenso areal onde caminhamos e quando olho para trás e nos vejo, somos uma imagem gravada num espelho. Em cada onda, uma lembrança, e vês cometas caídos e desejas segredos. Neste lugar, nunca amanhece, somente a lua comanda o denso azul escuro e as estrelas. Estendes a mão e nos teus olhos é como se lhe tocasses e fosse a lua do tamanho de um polegar. Avanço, digo
Vamos caminhar.
A areia molhada convida-nos para a [eterna] noite de amor.
i.o