Quis saber se de sal se te cobrem os dedos
Ou se toda a tua pele possui ainda o toque
Cetim de outras vidas- cujos passos julgamos
Por nossos- e do amor, esse trapo bordado
A dois, com fios de seda e finíssima agulha.
Mas levanto minhas próprias mãos aos olhos.
Tanto tiveram de ensanguentadas de tanto
Te bordar carinho- esse retalho cuidado que
Tão levemente deitaste fora trazendo uma
Máscara de papel sobre o delicado rosto.
Há uma música longínqua no ar que nos
Recorda que o passado é para sempre nosso.
E que cada palavra tem a cor carmim do sangue
Derramado nesses lenços de amor. Escuta-la?
Dos interstícios da pele e do tempo, despede-se...
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