Geraste um tornado no meu espectro
e ensinaste-me que,
uma vez do avesso,
é impossível juntas as peças para voltar
às sílabas do nosso mais-que-perfeito e
errante pretérito.
Esperei-te e o meu espectro límpido
dissolveu-se na espuma ácida do desaparecimento.
O esquecimento não é senão uma
dádiva e um tormento.
Quando as aves voam rente ao céu,
o meu peito sente-se longe.
Estive a pensar em ti.
[escrituras em folhas soltas de cadernos e diários perdidos]
2 comments:
Iolanda,
Grande é o número de vezes em que me aparecem (têm aparecido) estas palavras tuas: "Quem não tem medo de forças livres?" ("E diz-me, estimado amante, quem não tem medo, quem não tem medo de forças livres?") Ficou-me. É um pequeno milagre quando as palavras ficam, não? Quase 100% delas passam, não ficam, ficar é muitíssimo excepcional: um pequeno milagre. Aconteceu.
Mas tenho gostado de tudo o mais que (aqui) tenho lido e que passa por mim sem deixar rasto.
oh Iolanda... já não ouvia de ti à algum tempo. Estás de boa cor ? Obrigado... no entanto todos os dias a escrita parece que se perde dentro de mim e não sei escrever o que quero.
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