Wednesday, April 24, 2013

Talvez hoje eu seja só nós cegos à espera de um desenlace- nós de quem cai em teias de aço feitas de enganos- ou então talvez seja apenas voos de pássaros à procura de céu- pássaros a quem nunca esse deus quis suspirar asas. De lábios gretados espero os teus, mais longe que o infinito- esbanjados na memória dos escassos instantes em que se provaram, os meus e os teus. Nunca demasiado tempo foi tempo suficiente para matar a vida que houve em mim- embora já estivesse eu morta da vida que o teu amor me deu. Talvez esse amor fosse um templo antigo- desses cheios de mistérios e segredos- e por isso ruiu- porque quisemos saber demais. Oh, esses escombros de onde tentei salvar-te(me), oh, o desespero de não te ter! E a memória... Em solavancos, em flashes de ti, atraiçoa-me a todas as horas e em sonhos onde surges mais belo que a perfeição e tão doloroso como mil espinhos de rosa! As palavras que suspiravas em hálitos de café e faces coradas, em lágrimas que escondias e soluços que, um ou outro, escapavam pelos jardins dos meus cabelos. Não sei que ódio é este com que te amo. Não sei que raiva é esta com que te quero- com cada poro do meu corpo, a arder de sede da tua pele. Não sei, que diabo faço, ainda a escrever para ti.

                                                                                                                  Teresa P. Viana

3 comments:

Inês said...

está maravilhoso. a angústia de querer e não saber.

Joana said...

maravilhoso, sem dúvida!

Patrícia Caneira said...

"Não sei que ódio é este com que te amo. Não sei que raiva é esta com que te quero- com cada poro do meu corpo, a arder de sede da tua pele. Não sei, que diabo faço, ainda a escrever para ti" obrigado por me fazeres tremer, por me provocares arrepios, por me fazeres chorar, sem duvida perfeito!!