Estalam-se-me os sentidos, repetem-se-me as palavras.
Não sei que mais te dizer ou dizer a mim própria,
Se não te amo, minto. Se te amo, também.
Enrola-me no tempo e faz com que volte atrás,
Aos locais de onde o esquecimento seria lembrado-
Onde a felicidade intrínseca à distância de chávenas de café
E paladares quentes sussurando açúcares nos esperam.
Ainda brilhas, mesmo estando eu às escuras.
Possuidor de uma beleza que não se vê mas sente
E quero rasgar-te em fiados de perfeição
Mesmo que no fim morras nas minhas mãos.
O tempo faz tempo e avança em corrida de quem chega primeiro-
A meta é o fim da minha contagem e estou perto.
O meu corpo é um precipício e a tua voz ecoa no meu sangue-
É por isso que me rasgo a pele,
Esperando jorar sublimes dores de te sentir.
Mas tudo em mim é acre e carmim
E pegajoso e sujo. E doloroso e salgado.
Só espero, a medo, mas ansiando, que no cruzamento de uma rua
Te cruze olhares, já que não me cruzas amor.
Aterroriza-me a ideia de te tornar a ver- catedral do tempo do jardim em flor-
E por suspiro ou imaginação sentir de novo o perfume de éden-
A tua pele. Mas estás mais longe que o paraíso.
O inferno por dentro de mim.

3 comments:
que abismal. pleno de perfeição. incrivel. "E quero rasgar-te em fiados de perfeição
Mesmo que no fim morras nas minhas mãos." ideal.
lindo lindo, amei completamente!
sublime! como todos os outros!
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