Se soubesses tu quantas cartas de amor eu te escrevi desde então...
Guardei-as em envelopes perfumados, em
que havia desenhado pequenas rosas colhidas do meu jardim, onde em
tempos te vi chegar mas que agora abandonaste da mesma forma que as
folhas outonais se desprendem uma a uma, numa leve dança graciosa, desde
a árvore até ao firmamento. Eras uma pequena folha de Outono, mas
voaste antes de ele chegar.
Se soubesses tu das saudades que eu fingi não ter desde então...
Escrevi-as em papel reciclado que fui
deixando em eternos bancos da cidade. Esses onde outrora demos as mãos
numa promessa de amor que nunca nos seria permitido cumprir.
Em delírios de imaginação fomos
novamente ora mesa de café ora estante de biblioteca e quer fosse em
café a esfriar ou em passagens de livros ao acaso, havia sempre espaço
para um nós no lugar de dois eus perdidos. Lembro-me de ti em troncos de
árvores e lembro-me também em pássaros negros que voam para longe
depois do Verão.
Perguntam-me se o nosso amor me
incomoda. Não, não incomoda. Incomoda sim é dizer que acabou, quando na
verdade, nunca esteve tão forte. Esquece tu que eu não esqueço! Mas
depois não me olhes com olhos de quem pede perdão!
Iolanda Oliveira
Publicado em http://vemo-nosamanha.blogspot.pt/
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Sunday, December 02, 2012
Monday, November 05, 2012

"Começámos as falas nos bastidores, sem luzes voltadas para nós, sem aplausos, sem atenções. Estávamos numa peça de teatro e nós éramos a peça de teatro. Mas às tantas, um foco descobriu-nos numa cena de amor e da plateia surgiram críticas e reclamações. Quem é aquela? Não é a protagonista, pois não? Não, eu não era a protagonista, mas tu eras o actor principal e isto não estava certo, então mudaste de cena, porque a nossa não estava no guião. És um actor que não sabe improvisar e na última da hora tiveste medo do palco. Mandaste desviar o foco e pediste que se fechassem as cortinas para poderes começar de novo. E eu continuei nos bastidores, naquela disforme penumbra, um tanto assustadora, um pouco gelada. Deixei-me ficar, vendo-te na tua brilhante cena, na tua história pensada à letra, sem qualquer erro, perfeita. Se a partir daí chorei ou sorri, se desfaleci no chão ou se te aplaudi de pé, pouca ou nenhuma importância tinha. Afinal de contas, nenhum público se importa com o final de uma personagem secundária, com uma figurante. É isso que sou, uma figura de papel, uma personagem sem nome, cujo destino é insignificante e quase inexistente. Cujo rumo se perde, cuja existência se esquece... Aqui estou eu, aquela cujo nome nem sequer recordarás, escrevendo metáforas soltas que ninguém entenderá, pedindo uma vida, um papel principal, esquecendo que, na verdade, sou eu quem varre o palco no final."
Friday, October 26, 2012
Thursday, October 25, 2012
"Fui pó branco em fato preto.
Foste fato preto em pó branco.
Pensava eu que, no entanto,
o amor fosse cinzento."
Em, http://vemo-nosamanha.blogspot.pt/2012/10/brincando-com-poesia_13.html
Foste fato preto em pó branco.
Pensava eu que, no entanto,
o amor fosse cinzento."
Em, http://vemo-nosamanha.blogspot.pt/2012/10/brincando-com-poesia_13.html
Wednesday, October 24, 2012
Se naquela altura ela lhe dissesse que ao seu mundo faltava um pedaço, ele completava-o com parte do seu, no entanto, foi do tempo que nunca se falou. Talvez tenha sido essa a falha grave, a fenda que levaria a barragem a inundar todo o bosque verde que haviam criado para viver. Havia por lá uma pequena casa de papel e uma pequena cabana de madeira, que era rodeada por uma cerca branca, separadas por um riacho. Eles haviam construído uma ponte de madeira entre as duas casas...mas uma madeira demasiado luxuosa para ser permitida pela balança da vida. Demasiado boa para ser real: Ébano. Ela habitava a pequena cabana de madeira e acendia a sua lareira no inverno. O rapaz de papel, que tinha frio, entrou sem pedir licença. Colheu dos canteiros uma rosa aqui e outra além, mas pisou as doces violetas que cresciam todo o ano... Cresciam, pretérito imperfeito. Deixou pegadas no seu lugar e quando o fogo se tornou leves cinzas ele partiu e tornou-se leves saudades. Leves, porque a dormência entretanto tomara o lugar do pânico. Ela ainda o ama, mas ele já não existe. Deixou memórias de um beijo, de um amo-te noutra língua e de um desejo. Deixou uma pena porque voou. Sim, porque o rapaz de papel transformou-se num pássaro negro e a rapariga das rosas numa pequena borboleta ou quem sabe? Numa pisada violeta.
E não viveram felizes para sempre.
Fim.
Tuesday, October 23, 2012
Sunday, October 21, 2012
O gato dorme sossegado no meu colo novamente. Num sonho
profundo respira calmamente. Não tem culpa que eu hoje me sinta tão trágica
entre estas quatro paredes. Sem saber quem sou, perdida algures numa alma por
definir. Qual é o verbo para acabar com tudo? Faltam-me palavras. Gostava de
poder dizer-te que isto é um adeus para nunca, porque para sempre está a
tornar-se demasiado repetitivo. Qual é o verbo para cortar tudo o que tenho? Sim, estou
farta de viver assim mas não tenho como me sentir mais calma. Quanto mais tento
definir esta áurea metafísica a que se chama alma, mais ela se divide em
pedaços. Gostava de poder dizer-te que ia ficar bem, mas ia mentir-te. Oh
bolas, eu amo-te tanto! E bolas… eu também te odeio. Perdi-me algures entre a noção do
que é lógico e do não saber o que fazer. Já não me consigo encontrar. Pousa
a lâmina, sua estúpida. Ter-me-ias dito, julgo eu. Ou talvez nem tivesses
feito caso e terias deixado que eu enfeitasse o pulso de pulseiras vermelhas.
Tudo, porque enfias-te na cabeça que eu era forte, ignorando todos os sinais de
fraqueza que eu não aguentava mais esconder. Nem querias acreditar? ahaha, pois bem, sim! Eu sou
fraca! Qual é o verbo para sentir vontade de converter-me em pó? Qual é o verbo
para sinto-me tão só? Oh Tori… sinto saudades de sentir saudades de ti.
Violeta
Tuesday, October 16, 2012
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