Perscruto entre as mil folhas o detalhe que escapou num livro coberto de pó, mas que nunca deixou de ser lido. Enrolo a areia em ondas de palavras diluindo o conteúdo, mas o mar vai e vem, só nunca fica. Cheios de flores escondem-se os espinhos que ninguém vê, mas que ninguém magoam, até que as flores secam de tanto não serem tocadas, beijadas, cheiradas, lidas. Rainha das metáforas, ele chamou, mas ele não existia. Havia uma jarra de rosas no centro da mesa, regadas com ironia, mas nunca ninguém as encontrou. Os pássaros nunca ficam no inverno, mas o meu foi-se no verão. Pássaro da sorte, pássaro do azar, do amor mais forte e impossível de alcançar, rimei, mas estava a janela aberta e tudo o que eu falei o vento levou.
Violeta de C.

3 comments:
emocionante. gostei muito.
resp.: obrigadíssima. isso vindo de ti é um orgulho.
resp.: porque é espantosa a maneira como escreves.
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