Tuesday, February 26, 2013

A noite muda e lúgubre penetrou na quietude do meu quarto, gelando-me os ossos, ou tendo sido ela gelada por eles. Não dormi, envolta no veludo tóxico de uma insónia. Escrevi, no diário que não chegaste a ler, frases sobre ti e palavras que nunca te disse. Devia ter-te beijado mais e melhor, talvez assim me tivesses levado contigo, algures para onde as espirais do teu cabelo seriam tudo o que existe e do mundo nada mais sobrasse do que imagens e tempo. Devia ter-te tocado mais e melhor, para que me agarrasses o sono e me embrulhasses de ti, algures onde as noites não fossem geladas e os meus ossos não estalassem. Crac-crac... Choro, caem cristais de sal sobre a pele de rosas, porque tudo o que te dei e me deste foi em vão. Choro, porque me mantenho acordada pensando em ti, aterrorizada pelos sonhos onde tu não entrarias, mas sim quem me quebrou. Foste um anjo e eu um caso perdido.

4 comments:

han said...

é como que receber um abraço forte, quando, de certo modo, alguém parece compreender aquilo que sentimos.. não é? mas não chores, querida iolanda

han said...

que sorriso encantado me deixaste! és qualquer coisa.. nem o sei colocar em palavras.

Sophie said...

É um texto tão sentido que me faz questionar se realmente é aquilo que estás a passar ou fruto da tua imaginação. Se for o primeiro caso, há que ser forte para superar tudo, porque a vida é assim e sempre se encarregará de colocar entraves onde quer que estejamos e pretendemos chegar.

Aurora said...

Quero-te bem e feliz <3