Monday, December 10, 2012

 Escuta, foste mais importante que água e comida numa ilha deserta e foste mais forte que cem paixões e cem mortes. Eras-me tudo, como ar, e eu respirava-te sabe-se lá como, sabe-se lá com que amor mais doentio e degradante, pois eras tão tóxico como veneno e tornaste-te dissaboroso como o gosto bolorento de uma fruta podre. No entanto, entre lágrimas, e encontrando um espaço entre a dor que provocaste e o perdão que nunca pediste, eu encontrei a forma de esquecer, encontrei a forma de te aceitar algures fora da minha vida, como sempre devia ter sido. Estranho agora a falta de palavras, pois outrora, escrevi-te o mundo como quem tocava em cada tecla de um piano. Era em escalas de palavras que tocava para ti, velho amor. E tu sem sequer sonhar com isso. Mas hoje, passados dois anos, olhas-me como um amigo que reencontra quem há muito se perdeu, olhas-me com um toque de carinho antigo que se tem ao olhar uma fotografia de tempos passados. És estranho como uma lareira acesa, mas já não queimas mais, nem que me olhasses com a força de cem paixões e cem mortes, porque, querido, sim, querido, o que já está queimado não volta a arder.

Violeta

5 comments:

Aurora said...

"escrevi-te o mundo como quem tocava em cada tecla de um piano."

sempre incrível o que escreves

Aurora said...

peço-te para nunca deixares de escrever. quero sempre ter o prazer de te ler. beijinhos doces como tu

han said...

afogo-me, justo que me afogo no que escreves, e tremo por algo de que não sei o nome. és intensa e um poço de sensações.

Aurora said...

Acho que chego a sentir o mesmo... mil beijinhos <3

Aurora said...

Também princesa, também.