Saturday, December 08, 2012

 És tremendamente incoerente, como ver gotas de chuva na janela a meio de um dia de sol, és uma realidade alegórica e uma grande metáfora deambulante. Enfim, és um mentiroso perfeito. Mentes tão compulsivamente que te enganas a ti mesmo, tanto que sofres sem saberes o porquê, porque te parece tudo bem quando tudo está errado. E disseste-me daquela vez, sem me olhares nos olhos, que a tristeza era amiga dos escritores. Não, querido. A tristeza é o sangue deles, e eu beberia da tua e tomaria todo o teu sofrimento para que descansasses no meu colo, sem saber se estarias a morrer ou a nascer de novo. Oiço-te chorando o meu nome e estás longe como os deuses e tu sabes que eu nem acredito neles, mas continuas a chamar-me do sabe-se lá de onde... Sei que choras e sei que sentes a minha falta. E em sonhos, tomas-me como tua, e pegas-me como se estivesse nua, tocas-me o coração com dois dedos e agarras-me a alma com as duas mãos. Prendes-me aos teus olhos e sussurras-me amor no pescoço, queres-te meu. E eu quero-me tua e quero-te meu. E dar-te ia de beber o meu sangue para que me segurasses no teu colo e me afagasses os cabelos sem paixão, mas com amor, para que me deixasses segurar-te depois. Tomar-te-ia o frio em calor nosso. Seríamos um.

Violeta

4 comments:

Anonymous said...

De nada :)

Kelly Rocha said...

Adorei, aí como me revi nestas tuas palavras o.O (O fim da história da Rosa ainda está por vir) ;)

han said...

adoro ler-te, iolanda - adoro, mesmo.

Aurora said...

És bonita do coração