Escrevinhei dois poemas de rajada, sob o joelho, acabados de tirar da alma como quem colhe duas maçãs maduras, na calma outonal de um final de tarde. Deixei-os na secretária de Mrs. Rose, já sem lhe dizer nada, quando me levantava para sair. Esse gesto, no entanto, não lhe ficou indiferente e ela perguntou o que eram. Poemas, disse, como se soasse a Rosas. E assim como um rasgo de amor ela sorriu. Não sei, mas já não somos ela e eu, há muito que nos tornámos um nós. Como uma amizade distante e um tanto proibida, como quem gosta de longe sem tocar, mas ela toca e o toco, ambas tocamos, oferecendo corações embrenhados em letras e em versos do jardim de rosas e de bosques ao luar. Já não sei o que lhe chamar senão amiga.
-Um dia quero ler tudo o que escreveste para tentar perceber-te melhor. A tua mente é um mistério, quem me dera saber quem és...
- Mas eu sou tantas pessoas...
(E não sou ninguém).

4 comments:
adoro completamente o que escreves, és de letras ♥
*e eu gosto disso
obrigada eu ♥
Obrigada princesa
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