Tuesday, November 27, 2012
Via-te com o coração dormente, numa espécie de luz esbatida de pôr do sol, ou talvez fosse o pôr do sol quem nos visse a nós, oferecendo os seus últimos farrapos de luz como um amante que olha para trás no último adeus. Parecias tão quente como o ventre de uma mãe, e eras de facto, quente, como o calor de uma paixão. Toda a tua existência era uma enorme paixão, desde o ar que desmaiava nos teus lábios até às palavras que suspiravas no meu pescoço. Sentia o toque dos teus dedos longos e esguios percorrerem as minhas costas e sentia o toque dos teus olhos no fundo dos meus, tocando o vazio que os preenchia. Fazíamos amor de mãos dadas sem o toque dos amantes. Mas tu tinhas medo, ou razões ainda mais fortes do que essa, pois tremias de pensar em mim e eras cinzento como um céu de Dezembro a meio de uma tempestade. No entanto, mostravas-te calmo, como o reflexo que viste no lago em que nos conhecemos. Vi a tua alma e beijei-a. Não te conheço, porém, nem tampouco tu me conheces, como dois estranhos que se procuram sem saberem que já se encontraram. E a lua nunca chegou a ouvir-nos, citando poemas, no calor de lábios de pétala ou frieza de suspiros de amor em noites de Verão. Contudo, ainda há em mim quem peça e espere que voltes. Ainda há em mim quem te queira como as estrelas precisam da noite.
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4 comments:
"como dois estranhos que se procuram sem saberem que já se encontraram", encantas-me de todas as vezes.
Que lindo *.*
Como te entendo e como sei que cada particula que te pede para esperares por vezes é dolorosa mas é aquela que mais fundamente tem para nós!
Beijinho*
sabes, hoje, no metro, um rapaz sentou-se ao meu lado e estava a ler o terceiro volume de 1Q84. achei a coincidência maravilhosa e não resisti a tentar ler de esguelha algumas passagens. mas, infelizmente, sem grande sucesso.
estou certa de que conhecerei esse mundo em breve. sozinha mas, no fundo, especialmente acompanhada.
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