Sorvo em pequenos goles, muito pequenos, o fogo bege e cremoso. Escorre o baileys pela garganta deixando o travo adocicado na boca. Mordo o lábio, não quero que esse fogo se estinga, quero antes evaporar essa (m)água onde se me afogaram as palavras. A noite cerca-me a alma cuja fragilidade chora, porém, sinto uma estrela perfurar o negrume, não me sinto tão só. Beijar-lhe-ia as delicadas expressões se estivesse ao meu alcance, mas das estrelas só nos chega o brilho. Oh, e a minha estrela tem o melhor cintilo. Perco as horas entre correspondência que daria em livro, citando fraturas das almas, embalando os sentidos em músicas que silenciam. Nem tudo está perdido. De repente, deixo de ouvir o eco da minha alma, porque, numa sala de duas vozes, os ecos misturam-se. Escorrega o sossego como o álcool, porque, da tristeza, já só resta parte.
