Aprendi a vestir-me confortavelmente neste humor amargo, é assim que me rio- amargamente- e por me veres rir já me julgas feliz. Às vezes sinto saudade de um abraço, sim, de alguém que me diga que vai ficar tudo bem, mas para quê?- se eu já não acredito. A realidade tenta abafar-me e quase me sinto rendida, mas Não!- grito- não... Posso não ter alternativa, nem escolher em que contexto viverei, pode até nem existir outra realidade para mim, mas não aceito viver em mentira. O meu amor por ti pode não ser real mas é verdadeiro. "Aceitamos o amor que julgamos merecer", recordo-me, por esta altura deves julgar que foste tu quem disse isto, ainda me lembro como gostavas de te misturar com as tuas personagens preferidas, assim como a tua preferência assentava na perspectiva que te convinha. Continuas leve como o vento, livre como o pássaro que és e eu não te odeio. Escolhe as tuas personagens da forma que quiseres, mas não me vejas como isso, uma perspectiva que te convém desviar só porque o autor disse. Guardo as tuas memórias, e tu roubaste-me as passadas e as que poderia vir a ter. O tempo deixou-se de sequências. Podes até não perceber o que digo, não faz mal, mas não te esqueças que também eu sou escritora, e que te escrevi antes de te perspectivares nas minhas palavras. Talvez devesses escrever a tua própria história. Talvez eu não devesse escrever a de mais ninguém.