Ainda os teus contornos não me apareciam definidos em recordações e já eu sentia o quanto podia gostar de ti. É como se diz por aí, por vezes gostamos de alguém não pelo que diz, parece ou pensa, mas sim pelo que ela é. Acho que és tardes de verão em esplanada de café, pequenos poemas rabiscados em intervalos de risos ou então, mergulhos em oceanos gelados, sal no cabelo e sol quente arranhando a pele. És calma como um Outono embora dentro de ti exista um Verão inteiro. Queria tanto saber dizer-te o que és para mim, mas só encontro as palavras para o que eu quero que sejas. Fica por tempos que se estendam e se prolonguem por todo um sempre, gosto de ti e o que quer que sejas sabe-me bem.
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Friday, May 03, 2013
Saturday, March 02, 2013
Sufoco, agarro-me à solidão dos meus dias porque o mundo me atordoa. Preciso de me despir de mim, caminhar nua de memórias e de um passado mal resolvido. Tento fugir para dentro de histórias que não são minhas, lendo livros que ninguém lê, dos quais ninguém fala, para que esses mundos apenas a mim me pertençam. Por vezes perco-me, mas logo de seguida me encontro em escritos. Em linhas direitas em que palavras tortas me definem. Quando olho em volta, encontro folhas abandonadas pelos cantos, poemas inacabados, frases sem nexo, histórias sem um final ou contos em que as personagens morrem. Gosto particularmente de matar as minhas favoritas. Aproveito-me da doença para as engrandecer, o que seria de mim sem a dor. Olho-me no espelho que me reflete em pedaços. Tento agarrá-los e recompô-los mas faltam-me peças, que, nos confins do tempo, se perderam em lugares em que nunca estive. Tento alcançar-me, mas sou a inexistência do que não existe. Existo, porque me sinto. Toco-me, pressinto o meu corpo. Contudo, dilaceraram-me o espírito, separando a emoção da sensação. Oca, perdida, fujo num labirinto sem saída, esbarro em paredes de espinhos e calco as rosas que brotam sem caule. Uma flor não cresce sem raízes. Penso que morro, mas sobrevivo.
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