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Monday, November 19, 2012

  Tenho um globo no meu quarto e vou rodando-o, passo o indicador pela França e o polegar sobre o Japão, depois procuro Nova Iorque, mas encontro Londres. Todos os destinos a que haveríamos de viajar um dia. Lembro-me que uma vez me contaste que gostavas de viver em Paris, por causa de uma livraria qualquer que é a mais velha do mundo ou assim... e prometeste que me havias de levar lá contigo... mas as promessas pedem para ser quebradas, ao que parece...
  As tuas camélias estão tão bonitas Tom, oxalá as visses...
  As outras andam por aí perdidas ou cansadas, ou sem querer saber. Estou sozinha em casa. Fiz chá para dois, porque ainda tenho esse velho hábito, mas só há um para o chá. Sabes, por vezes eu quero chorar, mas lembro-me que uma vez me disseste para nunca ter medo, porque ele é um vórtice que nos destrói por dentro ou assim... Oh Tom, lembraste disso?
  Estive à conversa com a Vi... ela disse àquela amiga dela, a Naoko, que eu pareço uma criança que tem medo de dizer as coisas como elas são... Mas não acho que seja assim. Simplesmente não gosto do tom rude que ela usa para se referir a tudo. Ás vezes ela consegue ser muito desagradável... e eu sei como tu te irritavas muito com ela quando era assim... e depois tu não sabias distinguir-nos e gritavas também comigo, ou então, quando não gritavas ficavas silencioso demais e eu preferia que gritasses e me fizesses querer chorar. Tenho o teu livro na mesa de cabeceira. Mas é estranho, porque ele não me diz nada sobre ti. A Vi diz que tu não sentes o que escreves e que toda a tua escrita é um emaranhado de palavras vagas e balofas. Mas eu não acho que seja assim. Simplesmente não te encontraste todo ainda, ou assim... E ela diz também que eu te desculpo por tudo e que estou sempre a repetir-me... Oh, às vezes é tão má! 
  O Kafka anda por aqui a miar, mas eu já lhe dei de comer e não percebo o que ele quer. Acho que ele quer saber quem tu és, porque tu nunca esperaste para o conhecer. Olha Tom... nada... que estejas bem, ou assim... Com amor,
                                                                                                                               Maria