o que faço primeiro?
há uma fome contorcionista
que zumbe e arrefece,
mas sou incapaz de pensar
ninguém fez chover lá fora
mas haviam nuvens algures
e estava frio na sala- o chão gelado.
ainda assim, agachaste-te
e era tão sólida a amargura
que as lágrimas se prendiam aos ossos.
doeu-te quando choraste?
nunca te ouvi sofrer,
mas sentei-me à beira de um rio
e vi passarem os barcos
e o entulho
a tempestade.
hei
lembraste de quando o verão durou uma semana?
quando te dei a mão e disse
tatua esta sensação na tua pele, meu amor.
mas sentei-me à beira de um rio
e vi passarem os barcos.
disse-me o barqueiro que estavam lotados
não havia espaço para o amor,
mas eu entrei na água escura
e nadei.
alcancei a barca, mais tarde.
o importante,
não foi o frio que demorou para nos encontrarmos
não foram... as ondas
não é o inverno
nem as vozes que te fazem chorar
sussurei ao barqueiro:
o preto assenta-te bem
e ele,
cantou para mim.
hei
estou a abraçar-te. cheiras bem

1 comment:
adorei :)
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