-um dia vamos poder ficar a dormir assim...
- assim- digo- entrelaçados. como nos textos que eu antes escrevia, sobre situações que nunca tinha vivido, excepto, por empatia.
roubamos uns minutos ao tempo para fingirmos que era eterno, que era nosso. fechei os olhos.
- a tua respiração é como o vento- confesso.
- o vento?
- na janela- toco-lhe no rosto cansado- os teus lábios são bonitos.
- são?
- macios.
quis adormecer na sombra de um colo quente, no corpo que me rodeava e apertava- a pressão do peito nas costelas como uma fusão, podíamos ser um. a batida do músculo cardíaco era o meu néctar, embalo do meu choro e ainda não havia chorado. mas chorei, baixinho, quando senti o seu corpo deslocar-se de mim.
- queres ficar aí? eu sei o caminho- riu-se.
- não quero que vás, fica aqui- chorei.
as mãos acolhiam as minhas e os beijos apagavam o fogo dos meus, as saudades de casa doíam ainda antes da despedida; desentrelaçados.
2 comments:
Lindo.
Está lindo. Brilhante mesmo.
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