Sunday, January 19, 2014















Querer escrever com raiva
espumando do maxilar cerrado;
Dor nos ombros de tensão-
fazer estalar os ossos corticais 
e o búzio do segundo faz-se soar
no interior do zumbido.

Mato tempo, crio- recrio;
O pulsar das veias no coração
da escrita. Não a quero vender, então
mato-a; Corto esses tendões
e sangue jorra dos dentes brancos
no sorriso comercial do anúncio televisivo;

A lua fragmenta-se-
ciclos de mulher e astro
coincidem. 
O sangue mancha de pó lunar.

Amanhã é o tom que a procrastinação
pinta o pálido do seu podre
mas é bela a forma como
perdemos o tempo que matamos;
Adio a vida por mais uma eternidade. 

Escrever mesmo quando não se escreve,
percebem? Percepção,
uma benção maldita pelos anos-
o verdadeiro talento não era o talento,
mas a coragem de rasgar o escrito e,
mais tarde, reinventar a dor.

Reescrevo: altero o que senti,
para que quem leia,
o sinta melhor.  

iolanda oliveira

2 comments:

flávia said...

Gosto deste lado mais pessoano : um agreste sentimento trabalhado. acredita que os sentimentos chegaram aos nossos cernes.

Joana said...

gosto tanto desta tua forma de escrever!