Thursday, January 09, 2014

Eu procurei-te em tudo quanto podia,
como nas livrarias em que entravas
para ler os títulos-
comprei todos os livros que me citavas
e sublinhei essas passagens na vã
esperança de uma pista se desatar delas;
Oh, eu procurei-te em todas as calhas
por onde nos perdíamos de propósito,
em madrugadas que não dormia-
e enchia o peito de ar em cada esquina
ao querer acreditar que lá estarias quando
a cruzasse;
E nos cafés, horas a fio, decorando o que
te diria se viesses-
e imaginar-te entrando: de livro na mão,
caneta em punho. 
Nas bibliotecas, sentava-me onde te
costumava encontrar a ler, no desejo
tolo de que te aproximasses por detrás
e murmurasses de novo "estás no meu lugar";
Nunca te encontrei como queria,
excepto um dia-
já muito tempo passado, 
em que te vi abandonar a feira com livros
num saco. Não nos dissemos olá,
como nunca nos dissemos adeus.
Apenas uma troca de olhares que nos
comprometia a um eterno nada
desfeito em tudo.

3 de Agosto de 2013

4 comments:

Catarina Prata said...

Nem consigo explicar o maravilhoso que é ler-te.

Catarina Prata said...

São maravilhosamente nostálgicos os tempos passados a sonhar na procura... O mau mesmo, é quando esses pensamentos terminam. Não deixe que aconteça.

Margarida Carvalho said...

as tuas palavras são vivas, vibrantes, perfeitas! adoro!

Anonymous said...

Perco-me nas tuas palavras. Nunca deixes de escrever doce.