Friday, November 29, 2013

fecho os olhos-

sinto o balanço do vento no meu cabelo, entrego-me à queda livre e, nesse entretanto, vou sentido as cores e formas da vida na minha pele.
por vezes,
as pessoas não têm nada a perder; nada as prende e são movidas de uma enérgica liberdade; tronam-se forças livres
                        e quem não tem medo de forças livres?-

o ar de súbito tornara-se denso e na minha pele tudo era opaco. de mim soltavam-se teias de aço e cada movimento meu requeria mais força. até que ponto o nosso esforço não é também uma fraqueza?

desejei soltar-me, mas como, se o que me prendia era eu? não haviam lágrimas nos meus olhos.

tirei uma tesoura do bolso, cortei o meu cabelo- o ar arrepiou-me o pescoço- olhei para baixo, a um passo de mim havia um abismo. perguntei-me porque nunca aprendera a voar. 

fecho os olhos- 
mais uma vez me entrego à queda, 
quero ser livre.

3 comments:

Luis Dias said...

sim

said...

"até que ponto o nosso esforço não é também uma fraqueza?" oh, como adoro a tua escrita...

Catarina Prata said...

Não perguntes porque nunca aprendeste. Pergunta apenas porque é que ainda não chegou o momento de o fazeres.