fecho os olhos-
sinto o balanço do vento no meu cabelo, entrego-me à queda livre e, nesse entretanto, vou sentido as cores e formas da vida na minha pele.
por vezes,
as pessoas não têm nada a perder; nada as prende e são movidas de uma enérgica liberdade; tronam-se forças livres
e quem não tem medo de forças livres?-
o ar de súbito tornara-se denso e na minha pele tudo era opaco. de mim soltavam-se teias de aço e cada movimento meu requeria mais força. até que ponto o nosso esforço não é também uma fraqueza?
desejei soltar-me, mas como, se o que me prendia era eu? não haviam lágrimas nos meus olhos.
tirei uma tesoura do bolso, cortei o meu cabelo- o ar arrepiou-me o pescoço- olhei para baixo, a um passo de mim havia um abismo. perguntei-me porque nunca aprendera a voar.
fecho os olhos-
mais uma vez me entrego à queda,
quero ser livre.
3 comments:
sim
"até que ponto o nosso esforço não é também uma fraqueza?" oh, como adoro a tua escrita...
Não perguntes porque nunca aprendeste. Pergunta apenas porque é que ainda não chegou o momento de o fazeres.
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