o teu coração era gelado e denso, mas eu estava irremediavelmente apaixonada pelo inverno.
tudo, tudo nele- a chuva, o vento, o frio. àrvores que se despem de folhagem, a fina camada de gelo na janela pela manhã, os lábios gretados entreabertos de onde escapam sopros enevoados.
a chávena de café quente aconchegando as mãos e Blue Moon na aparelhagem.
mas o meu coração era primavera explosiva, lembras-te? era papoilas brotando em prados verdes, era o canto dos pássaros por entre as folhas novas e tenras, era o sol que aquece o rosto e o orvalho fresco de cada dia. ahah, era uma abelha! ou uma borboleta... que escolhia sempre a mesma flor onde pousar. e a minha pele tornava-se quente ao toque.
era quando te tocava que temia derreter-te em minhas mãos, cristal de gelo e ainda te sinto a falta em cada estação...

12 comments:
sempre maravilhoso, uma escrita que encanta qualquer pessoa
Que texto mais belo. E o final encantador. Que "jogo" lindo entre os aspectos frios diante uma "pessoa primavera" Parabéns pelo texto " não achei seu nome no blog" rs
o problema do amor é que vai como os pássaros. o problema do amor é que é diferente a cada estação. o teu problema é seres uma borboleta e ainda assim conseguires escrever tão bem. disse-te uma vez que não comentava estes textos, mas este teve um sabor de doçura que até me fez imaginar como é gostar de flores. o gelo é mesmo para derreter. beijo :)
"o teu coração era gelado e denso, mas eu estava irremediavelmente apaixonada pelo inverno" atacas o leitor desde a primeira linha, por ser tão sublime a tua escrita.
necessito de um conselho que creio que apenas tu me poderás dar .
lindo! a tua escrita prende quem lê desde a primeira à última palavra. maravilhoso...
segui e vou estar atenta ao teu blog :)
encantaste-me!
estou num impasse absoluto . recolho-me como uma mera partícula ou imponho ?
obrigada , ajudas-me mais do que pensas :)
simplesmente maravilhoso, há algum tempo que não passava por cá, mas arrependo-me de me ter afastado dessa escrita maravilhosa que é a tua :3
tão terrivelmente bonito e verdadeiro...
Parece-me à descrição que além o facto de ela ter sido primavera o seu grande amor sempre foi, de verdade, o inverno. Curioso que nem a primavera lhe brotava liberdade como brotava papoilas. Curioso ela, abelha ou borboleta, escolher sempre a mesma flor onde pousar. Fiquei na dúvida se de facto a paixão irremediável era pelo inverno, ou, se pela primavera, e inverno era ela?
Adorei.. Está mesmo giro :)
Post a Comment