Eu só não sei em que direção se perdeu o sentido das palavras nem em que estrada se perdeu o mapa de mim. Seco as mãos no lençol com bordados de rosas, mas volto a rebentar em rios e assim meio-submersa-meio-à-tona sei, creio, que o melhor mesmo é deixar-me afogar. As rosas dos lençóis não têm espinhos. Sinto-me sozinha aqui e está a acontecer outra vez, tremo. Sinto-me culpada mas não me lembro a quem devo pedir perdão, é confuso, helen, oh helen. porque dentro de mim há um abismo e em noites como esta não existe sequer luar, eu dei um passo em falso e não era um sonho, era eu- a cair, cair, cair- outra vez. Não consigo perceber se está frio ou calor, sei que tremo, mas tenho a pele suada e está tudo enevoado, como se eu fosse um palco e o mundo a plateia, e a minha mente a cortina, sabes, é isso. há pouco escutei um ruído qualquer, um alarme, mas não me lembro de onde vinha e depois ele cessou, porém aquele eco manteve-se, irritantemente, aqui. Começo a ficar assustada, tu já nem sequer existes e os pássaros voam no verão ao contrário do que dizem, as rosas não têm espinhos e o ruído permanece. É confuso e eu sinto-me culpada, estou sozinha. Outra vez.

3 comments:
a determinada altura todos estamos sozinhos, perdidos, e sem expectativas. Mas também chega a altura em que resolvemos secar as lágrimas e nos refazemos....!
beijinho
"e os pássaros voam no verão ao contrário do que dizem" tanto aqui contido..
mas há um grande sufoco em ler isto e - não, não te deixes afogar, o fundo não é o caminho. só à tona poderemos ver as estrelas, mesmo em noites em que a vida esteja escura.
É bom tirar o tempinho para ler um pedacinho dos outros todos os dias. Sentes o ruido, é tão estridente como o meu?
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