Com coroas de violetas enfeitando os cabelos, não dormi a noite passada.
Seja talvez por egoísmo- de querer ver-te uma última vez, ainda que em espasmos de infelicidade e esse... remorso?
- seja, mas eu quis.
E de flores tantas, a horas tantas, o sono não chegou, Sumire na cabeceira sob o olhar atento de Murakami, quantos segredos não me ousaste contar?
Perco-te, no tempo, e entre memórias enevoadas procuro-te tentando calcular o exato momento em que tudo mudou e em que rua estreita ou esquina a mescla de raiva-dor tomou o calor das tuas asas, querido.
Perdoa-me ter-te perdoado e não conseguir odiar-te mais do que
- te amo.
Violeta

5 comments:
o pouco que sabemos...
Será sempre alienígena, perdido no sentido e tempo, esse momento onde tudo muda? Haverá realmente um momento que marque a desorientação da tropia para o amor?
acredito que haverá, no entanto, um espaço nas artérias, uma fenda na mãos, uma pequena caixa de linho onde pudemos guardá-lo. A memória, a saudade, a melancolia... tudo é complemento para o retrospecto a esse amor de um dia, caso assim o seja. Eternizado ele fica desse modo, para que não esqueças.
está maravilhoso, nana.. a forma como desenhas os pensamentos, a forma como se, de repente, os sentimentos fossem palpáveis, a sua história desenhada em velhos edifícios de ruas outrora percorridas..
isto é tudo aquilo que sinto. esta dor tão forte. e pudesse eu exprimir-te em palavras o quanto adoro ler-te.
e o quanto eu precisava dele, digo-te de coração.
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