Wednesday, April 17, 2013

Tropeço em sorrisos, engasgo-me em alegria, minto a toda a hora. Roubam-me as forças com a facilidade com que se esmaga um inseto. Doo-me, e, sinceramente, não me quero e tampouco consigo entender como podem julgar querer-me os outros. Sou feita de metal cravado na pele e de cacos de vidro ensanguentados e estou cansada. Farta, até- sabes tanto de mim que é o mesmo que não saberes nada. Flores, o sol a bater-me no rosto, o gato a brincar entre as ervas- como podem elas ousar ser exorbitantemente verdes?- os livros espalhados pela relva e as meias sujas de terra. Brisa quente, cheiro a verão. Sabor a sal nos lábios e "muitos corações", tão triste como penas no cabelo e ébano no olhar- de que são feitas as tuas memórias?- de penas no cabelo e ébano no olhar. Escorrega o lápis para debaixo da cadeira de jardim, a que poço mais fundo terei de descer para te trazer de volta pássaro? E estava eu ali, descuidada de mim, coração desfeito e alma rasgada. Sabia que não iria voltar, porque, até agora.. enfim. Olho o céu tão estupidamente azul, porque é que tem de estar tão bonito hoje? Hoje que rasgo cartas e rasgo pele e queimo papel, e digo coisas sem sentido e falo de mim e arrependo-me. Arrependo-me sempre de tudo e dói tanto que rebento, mas estou tão vazia que nem ar tenho para ficar sem ele.
                                                                                                                                         Violeta.

2 comments:

han said...

se colhesse violetas, seria na proximidade de um inverno próximo, protegendo-as numa jarra de vidro fino, onde a luz do sol desenharia arco-iris para que pudessem elas tocar o céu. e quando secassem, guarda-las-ia entre páginas com palavras de ternura e beijinhos no canto. oh, que estejas bem, nana

Joana said...

que bonito, adorei querida!