Saturday, March 02, 2013

Sufoco, agarro-me à solidão dos meus dias porque o mundo me atordoa. Preciso de me despir de mim, caminhar nua de memórias e de um passado mal resolvido. Tento fugir para dentro de histórias que não são minhas, lendo livros que ninguém lê, dos quais ninguém fala, para que esses mundos apenas a mim me pertençam. Por vezes perco-me, mas logo de seguida me encontro em escritos. Em linhas direitas em que palavras tortas me definem. Quando olho em volta, encontro folhas abandonadas pelos cantos, poemas inacabados, frases sem nexo, histórias sem um final ou contos em que as personagens morrem. Gosto particularmente de matar as minhas favoritas. Aproveito-me da doença para as engrandecer, o que seria de mim sem a dor. Olho-me no espelho que me reflete em pedaços. Tento agarrá-los e recompô-los mas faltam-me peças, que, nos confins do tempo, se perderam em lugares em que nunca estive. Tento alcançar-me, mas sou a inexistência do que não existe. Existo, porque me sinto. Toco-me, pressinto o meu corpo. Contudo, dilaceraram-me o espírito, separando a emoção da sensação. Oca, perdida, fujo num labirinto sem saída, esbarro em paredes de espinhos e calco as rosas que brotam sem caule. Uma flor não cresce sem raízes. Penso que morro, mas sobrevivo.

11 comments:

Jadis said...

é a minha vez de dizer que és bonita :')

Iolanda said...

<3

han said...

a ultima frase é um grito abafado, oh! nem sei, querida iolanda, é qualquer coisa.. nem sei.

Anonymous said...

"Tento fugir para dentro de histórias que não são minhas, lendo livros que ninguém lê, dos quais ninguém fala, para que esses mundos apenas a mim me pertençam." Está tão lindo, escreves maravilhosamente bem.

han said...

és um mimo dos grandes, querida iolanda, dos grandes e dos que queremos que nunca acabem :')

Aurora said...

Só nunca deixem de falar, porque apesar de tudo, foram muito na vida uma na outra ou mais na tu, tu sabes não é? A Amizade é um sentimento maravilhoso, prezem-no. <3

Aurora said...

Tenho pena, não sabia que estavam desencontradas há três anos. Mas são de longe? Tem força, muita.

Aurora said...

Pelos vezes as circunstâncias da vida dão nisto, no afastamento, mas se achas que foi o melhor para as duas, isso é bom, e para ti também porque não te magoarás muito. Mas sentes a falta, vais sentir sempre, é uma verdade. Só não te percas nessa dor, anjinho e não tens que agradecer

Anonymous said...

De nada :))

Aurora said...

Como compreendo, há marcas que ficam para sempre não é? Estou aqui para te ouvir sempre, sempre.

kowodzpin said...

este texto sou tantas vezes eu. sinto cada frase como se fosse minha. está perfeito. "Sufoco, agarro-me à solidão dos meus dias porque o mundo me atordoa. Olho-me no espelho que me reflete em pedaços. Tento alcançar-me, mas sou a inexistência do que não existe. Oca, perdida, fujo num labirinto sem saída, esbarro em paredes de espinhos e calco as rosas que brotam sem caule. Penso que morro, mas sobrevivo." A última frase, parece-me um desabafo de uma vontade interior que precisa de explodir. Obrigado pela oportunidade de poder ler este blog. E um obrigado pelas palavras que deixas também no meu canto. Continua. Beijo. KVC