Saturday, March 16, 2013

Rasgo páginas de um diário que nunca escrevi, porque lá estavam escritos futuros que não aconteceram. Perdi-me no tempo em que a minha alma se rasgou em farrapos de luas e de sóis e estendo o braço à procura de um sonho, mas roubaram-mos, a todos eles. E quase morro de tristeza por saber que os filhos de olhos castanhos serão de outra mulher e que a vida que seria a minha não será a minha. O chão está demasiado perto para quem outrora tocou o infinito com as pontas dos dedos. Ouso levantar-me mas as forças que não possuo esmagam-me os ossos, quis converter-me em pó e quis ter a janela aberta nesse momento. Os tornozelos ardem como chamas de velas num cemitério onde jazem as falecidas paixões. Há um poço no jardim que me levaria ao fim do mundo, mas a mamã decidiu tapá-lo no inverno passado quando ainda esvoaçavam as aves em redor de corações de pequenas rãs. Como na história de uma rã que se apaixonou por um pássaro, e que, mesmo assim, nunca perdeu a esperança.

3 comments:

Sophie said...

Já pensaste em escrever um livro? Eu acho que seria uma excelente aposta! :) Junta-te ao clube dos despistados! hahaha Bem, podes adquiri-lo através dos links que estão na página lateral, ou então, por encomenda, na Fnac. Se quiseres saber mais sobre o livro e tudo o resto, podes adicionar no facebook a página. Colocas Não Confies em pesquisar e aparece lá tudo. Se tiveres dúvidas podes perguntar por lá que eu respondo sempre! Se o leres, depois dá-me a tua opinião! beijinho!

han said...

oh, a história de uma rã que se apaixonou por um pássaro.. como lhe li uns recortes e uns esboços. como te li a feminina fragilidade nela. oh, iolanda.

kowodzpin said...

mágoa doce e terna. está lindo. " Há um poço no jardim que me levaria ao fim do mundo, mas a mamã decidiu tapá-lo no inverno passado quando ainda esvoaçavam as aves em redor de corações de pequenas rãs." adorei.