«(...) Foste
a primeira mulher que eu amei verdadeiramente. Senti isso quase instantaneamente desde o
primeiro momento em que te vi, éramos nós apenas duas crianças na tenra idade de sete anos. Contudo, só me
apaixonei loucamente por ti anos mais tarde, quando coisas terríveis começaram a acontecer
em teu redor e ficavas pior de dia para dia. Ainda que sofresses mais do que podias suportar, tornaste-te numa jovem bela e inteligente, talvez até demais, tendo em conta que eras ainda tão nova. Nunca conheci alguém tão perspicaz, que me conhecesse tão bem ao ponto de me completar as frases e julgo que era esse jogo mental que me cativava mais em ti. E eu nunca consegui entender como é que alguém como tu podia gostar tanto de alguém como eu. Também me amavas, embora não estivesses apaixonada por mim. Porém, sabias perfeitamente o que eu sentia por ti, sem eu precisar sequer de dizer, pois lias nos meus
olhos o que se passava dentro de mim ainda antes de eu própria conseguir compreender. Mas isso nunca te incomodou, nem tampouco te afastou de mim. Costumavas dizer-me que eu via
beleza e que reparava em detalhes onde mais ninguém os podia ver e, de facto, havia algo em
ti e na forma como lidavas com a doença que, de uma forma bizarra, era bela.
Como o sorriso trémulo que te escapava quando alguém reparava nas marcas de
cansaço abaixo dos contornos dos teus olhos, o toque gélido da tua mão no meu rosto
quando me prometias que ias ficar bem ou a naturalidade com que limpavas as
gotas de sangue que por vezes escorriam dos teus pulsos para beijar as teclas do teu
piano. Estavas tremendamente fraca, mas era dessa mesma fragilidade que arrancavas as
forças para mais um dia, dizendo, "só mais
um dia e ficaremos bem", embora ambas soubéssemos, à partida, que nunca ficaria tudo bem. Agora que penso nisso, querias desesperadamente acreditar nas tuas próprias mentiras, como que se por fingires vezes suficientes elas acabassem por se tornar reais. Foste a primeira mulher que eu amei, Helen, e a primeira que me deixou. Deixando o mundo. (...)»
Isto é um pequeno excerto de um conto que comecei a "tentar escrever", inspirado na minha história com a Helen, há bastante tempo. Grande parte das descrições coincidem com momentos reais vindos das minhas memórias, porém, não se trata de uma narração exacta da realidade. Por exemplo, na vida real, a minha Helen não morreu, o que (sim, sei que pode parecer estranho) torna tudo muito mais complexo e difícil de entender. Nunca acabei este conto, porque chegando precisamente a este ponto tornou-se doloroso. Mas hoje, enquanto organizava o meu humilde "material literário" no computador encontrei-o e sei que está inacabado, confuso e um tanto vago, até mesmo porque ainda não consegui expressar as entrelinhas disto tudo, mas, enfim, espero que gostem...

3 comments:
está lido demais, continua-o, a sério. amas-te uma Mulher? <3
Porque tudo acabou, minha linda? <3
Voltei a ler, depois do que me disseste e do quão doloroso para ti é, e caíram-me lágrimas... como dói. Fica bem, princesa
Post a Comment