Se soubesses tu quantas cartas de amor eu te escrevi desde então...
Guardei-as em envelopes perfumados, em
que havia desenhado pequenas rosas colhidas do meu jardim, onde em
tempos te vi chegar mas que agora abandonaste da mesma forma que as
folhas outonais se desprendem uma a uma, numa leve dança graciosa, desde
a árvore até ao firmamento. Eras uma pequena folha de Outono, mas
voaste antes de ele chegar.
Se soubesses tu das saudades que eu fingi não ter desde então...
Escrevi-as em papel reciclado que fui
deixando em eternos bancos da cidade. Esses onde outrora demos as mãos
numa promessa de amor que nunca nos seria permitido cumprir.
Em delírios de imaginação fomos
novamente ora mesa de café ora estante de biblioteca e quer fosse em
café a esfriar ou em passagens de livros ao acaso, havia sempre espaço
para um nós no lugar de dois eus perdidos. Lembro-me de ti em troncos de
árvores e lembro-me também em pássaros negros que voam para longe
depois do Verão.
Perguntam-me se o nosso amor me
incomoda. Não, não incomoda. Incomoda sim é dizer que acabou, quando na
verdade, nunca esteve tão forte. Esquece tu que eu não esqueço! Mas
depois não me olhes com olhos de quem pede perdão!
Iolanda Oliveira
Publicado em http://vemo-nosamanha.blogspot.pt/

1 comment:
fico sem palavras.
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