Sunday, December 02, 2012

 Se soubesses tu quantas cartas de amor eu te escrevi desde então...
Guardei-as em envelopes perfumados, em que havia desenhado pequenas rosas colhidas do meu jardim, onde em tempos te vi chegar mas que agora abandonaste da mesma forma que as folhas outonais se desprendem uma a uma, numa leve dança graciosa, desde a árvore até ao firmamento. Eras uma pequena folha de Outono, mas voaste antes de ele chegar.

 Se soubesses tu das saudades que eu fingi não ter desde então...
Escrevi-as em papel reciclado que fui deixando em eternos bancos da cidade. Esses onde outrora demos as mãos numa promessa de amor que nunca nos seria permitido cumprir.

 Em delírios de imaginação fomos novamente ora mesa de café ora estante de biblioteca e quer fosse em café a esfriar ou em passagens de livros ao acaso, havia sempre espaço para um nós no lugar de dois eus perdidos. Lembro-me de ti em troncos de árvores e lembro-me também em pássaros negros que voam para longe depois do Verão.
 Perguntam-me se o nosso amor me incomoda. Não, não incomoda. Incomoda sim é dizer que acabou, quando na verdade, nunca esteve tão forte. Esquece tu que eu não esqueço! Mas depois não me olhes com olhos de quem pede perdão!


Iolanda Oliveira
Publicado em http://vemo-nosamanha.blogspot.pt/

1 comment:

Aurora said...

fico sem palavras.