Sunday, November 25, 2012

Oh, dream maker, you heart breaker

 Estava desmaiada de angústia por entre um mar branco de lençóis frios, os braços ardiam como pequenas chamas de velas num cemitério onde jazem as velhas e esquecidas paixões. A realidade há muito que não era real e o desejo genuíno do coração metamorfoseava-se em imagens distorcidas que pareciam tão nítidas. Uma espécie de morfina mal doseada que consumia toda a lucidez. Cheirava a doença e a dor, como uma orquídea cheira a leve e a pó. Só não se tornou um pesadelo, porque tu estavas lá, e a tua beleza é graciosa e desequilibrada, e só não era um sonho porque eras tu, e tu és tão terrivelmente doloroso como um espinho de rosa. Mas abraçaste-me e pegaste-me a mão. 
- Não podes estar aqui, tens de te ir embora já, estás a transformar-te num deles. Numa sombra como aquelas- chorei.
- Não posso, és a única por quem me vou apaixonar. E eu agora estou aqui- disseste enquanto me sufocavas.
- Mas isto não é real, não é verdade e tu não podes ficar- o amor começava a matar-me.
- Eu não vou a lado nenhum- prometeste, e tocaste-me. Tocaste desse jeito tão teu, que não ficava bem em ti.
 As sombras abateram-se sobre nós. Eu sabia que não era real, mas aquilo era verdade. Uma verdade que não era real. Esse beijo rasgou o sonho. E desfez-se nos teus olhos de ébano, a última coisa que vi.

2 comments:

han said...

"Só não se tornou um pesadelo, porque tu estavas lá, e a tua beleza é graciosa e desequilibrada, e só não era um sonho porque eras tu, e tu és tão terrivelmente doloroso como um espinho de rosa.", chorei. está maravilhoso, e chorei porque encontrei dor no que é belo. ou beleza no que é dor.

Aurora said...

Ora essa doce