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Thursday, December 05, 2013

1:30 da manhã

A mente rompera em todos os sentidos imundando as paredes de manchas esverdeadas que corroíam a madeira e abriam buracos dos quais escapavam outras manchas ainda mais ácidas. É suja e violenta a forma como uma mente se rompe e nada a segura. Todavia, o chão ainda se mantinha limpo, embora o sentisse dobrar sob os meus pés e, num instante, tornara-se côncavo. Agachei-me nele quando os joelhos quiseram adormecer na alcatifa e fechei os olhos- havia demasiado ruído e em breve as paredes desfazer-se-iam para alagar o resto- não estava a salvo. Agarrei o cobertor e envolvi-me nele, olhei uma última vez para a imundice do meu quarto em dissolução e fechei a porta. Às escuras encontrei a porta do terraço e quis perder-me na sua noite fresca. Oh, pena que não fumasse. Então, encolhida na cadeira de jardim, acomodei-me como pude no espaço entre as estrelas. 

2:05 da manhã

A nossa mente é um som estridente a ecoar numa sala sem mobília de uma casa abandonada. Queria calar o seu frenesim, tentei concentrar-me no barulho dos carros que passavam na autoestrada e foi aí que, inesperadamente, me dei conta de uma presença delicada. 
As árvores cantavam à noite.
Exatamente como o ar que nos foge da garganta e se faz ouvir, também o vento dançou nas suas folhas traduzindo as suas histórias. Oh... quem me dera ter entendido o que elas me contavam, mas não sabia falar a linguagem dos séculos. Quando me apercebi, a minha mente tinha sossegado e estava calada. Tampouco o ruído dos motores dos carros faziam sentido. Ali, estava eu e a canção das àrvores, a beijar-me as faces e a acalmar-me os sentidos. Num terraço reles e sujo, desliguei o meu sistema. Estava em sintonia com o universo.

2:16 da manhã 

Um anjo, sorriu-me do seu lugar. Também os anjos não dormem, mas deixei-lhe um bilhetinho de boa noite por debaixo da porta. É sempre bom quando não somos os únicos a estar acordados.

Tuesday, December 25, 2012

aguço os ouvidos numa música calma e baixa. perco os sentidos na consciência. e apaixono-me pelas pétalas de rosa que brotam dos meus braços. e empurro as caras que se intrometem na minha insanidade. provoco insónias que me consomem e gelam. o som do amor nunca me pareceu tão porco. sinto nojo da minha pele quando as unhas arranham o prazer vazio. o prazer forçado. não me quero, mas forço-me. violo-me. amo-me sofregamente de forma repugnante. é nojento o ódio próprio. escrevam-me nas páginas de um diário e afoguem-no ou queimem-no ou enterrem-no ou abandonem-no. levem-me nas palavras carentes de sentido e matem-me em frases insuficientes e vocabulário inexistente. ou esqueçam. esqueçam. 

Violeta