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Wednesday, January 23, 2013

A noite está calma e gelada, periclitantemente quieta, como se nem o vento furioso e a chuva caótica quisessem estar aqui. Dentro do quando, Beethoven ao piano numa sonata em si bemol e o gato a dormir profundamente no colo. Está cheio, o quarto, de livros abertos na secretária, roupas espalhadas pelo chão, poemas aqui e ali, cartas que rasguei e lenços de papel ensanguentados. Não está ninguém aqui, só a solidão me acompanha. É inverno lá fora e cá dentro, em mim. No entanto, sobre a neve pálida com que me visto, brotam mais e mais papoilas de Abril. Sou um paradoxo e a natureza não tem espaço para mim. Escolho ser tudo, ser as árvores e os frutos, as papoilas e o prado, os pássaros e o verão. Mas não posso, estou acorrentada com teias de aço a este nada que é tudo o que sou. A condição efémera que a vida faz de mim. E eu pergunto-me, se tão mais eterna e simples, com gosto a alívio e transformação, como posso não preferir a morte? 

                                                                                                                                Violeta

Wednesday, January 16, 2013

  Aproximei-me da janela e abri-a, senti no rosto o ar gélido de Janeiro. Encarei timidamente o sorriso que a lua me oferecia e convidei o vento a entrar no quarto. Perguntei-lhes, a eles que tudo vêm e que tudo sabem, quantas mais almas tristes, como a minha, lhes contariam as suas histórias com toda a calma de uma noite sem lareira acesa... Ou quantas almas puras estariam agora a viver as experiências mais maravilhosas das suas vidas, para que um dia tudo isso acabe e, tal como eu, escrevam a sua dor e sentimentos esquecidos e amargos em pequenos parágrafos como este.
  Mas nem a lua sorridente ou o vento que esfriava me quiseram dar qualquer resposta. Então, sob o silêncio inquietante que me transmitiram, fechei-lhes a janela educadamente e vim escrever.

Wednesday, December 12, 2012

 Talvez sejam as mãos geladas que não se querem mover ou a falta de interesse pelo respirar que me impede de ir mais além. Vasculho algures na memória o dia em que me tornei assim: nisto, mas é em vão. Há uma confusão de caras de pessoas que mortas permanecem vivas, oh assim como eu. Quero dizer tanto e continuo calada, como quem chora sobre um amor falecido que nada precisa de dizer para além de lágrimas a escorrer pelo rosto contorcido de dor. A minha mente contorce-se de dor e a minha alma chora. A minha alma... qual delas? Já nem sinto quem sou. Tantos rostos que me assaltam o espírito e nenhum fica de verdade. Sou de uma detestável monstruosidade por querer que desapareçam todos aqueles que me amam. Sou de um egoísmo satânico por fugir deles assim, mas eu não aguento... quero-me longe deles e do mundo, quero-me longe de mim. Sinto-me apavorada pela noite, e sinto-a já lúcida e clara, assustadora. mrs. rose, susan, helen, black bird, jake, mark, mike, mom & dad, i can't hold on this nothing anymore, i love you but... i wan't to go.