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Saturday, April 13, 2013

Nunca devias ter lá voltado, porque, tu sabes, outrora foi lá que foste feliz. Deixaste soltos os cabelos tom ferrugem escorregarem para a face, escondendo os olhos, escondendo as lágrimas. Seguiste pela calçada os passos que deram, quando ainda a primavera vos fazia chorar amor, quando ainda se ouviam cantos de pássaros no silêncio de um abraço. Mas para quê? De nada te serve, calcar o chão de antigamente, que não, não é o mesmo de agora, porque o calcas sozinha. Que saudade é essa que te desfaz em dor, se és tão delicada como um dente de leão ao vento. Continuas a encontrá-la pelos lugares onde as cinzas do passado pendem em nuvens de memórias, mas que não te trazem felicidade, só sal que molha lábios e só peito que treme não por frio. Nunca devias ter lá voltado- era inverno ainda, e lua cheia, quando o viste cruzar a rua que costumava ser vossa em esconderijos de amor- porque de costas voltadas ele se foi. O ébano, que não vês mas recordas, sempre, sempre, para sempre, é o veneno dos teus dias e o antidoto das tuas noites. Embarcas tu, e nós, pelas correntes que a nada te levam mas a lado nenhum. Pela noite, tremes de tempestade e abres-te em rios, pela manhã, beijo eu as feridas que são as tuas e as escondo- encontro perdão que rasgarás mais tarde, mas encontro. Canso-me do teu cansaço. E nunca mais devias lá voltar.
                                                                                                                
                                                                                                                        Raquel Gonçalves  

Thursday, January 24, 2013

Vim, diante do espelho,
Prender-te os cabelos
E os sentidos.
Tornaste a tua ânsia em ansiedade
Sem saberes controlar os teus medos.
Agora tudo é sereno, 
Como a quietude de um lago.
Mantenho-te em segredo,
E de revolto só a verdade.

                                          Raquel.