Thursday, January 29, 2015
eles dizem..
eles dizem ver em mim um qualquer brilho
que a uma sala vazia eu trago luminosidade,
como se, de mim, irradiasse uma substância
translúcida
mas..
eu não sei de onde isso vem.
sei que de mim há um poço de correntes geladas
há um peso que me afunda, mais e mais
para baixo, e que por vezes os espinhos são tão visíveis
que a minha própria pele me dói.
procuro incessantemente a beleza das coisas mortas,
pousadas, como um cenário
quietas, caladas
enclausuradas pelo tempo na retina da memória,
procuro essa beleza estagnada
para me colorir um pouco.
costumo dizer que colecciono detalhes.
eles dizem que eu trago algo que os completa,
que os seduz
mas eu não compreendo isso...
vejo em mim uma estranha
um espelho tão sujo que só permite distinguir nele algumas sombras
vejo em mim uma imensidão imensa, que nunca mais acaba
desconheço os meus limites
e por isso, a indefinição me consome
como se, por baixo de o abismo existisse outro abismo, e, depois desse
ainda um outro
e de abismo em abismo me vou deixando cair.
há quem diga que eu voo.
mas eu não compreendo isso...
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3 comments:
Tu voas nas palavras e fazes-nos voar para a tua dimensão. Só sabes escrever coisas lindas!
E não tens de agradecer o meu comentário enterior. Foi muito sincero. Acho mesmo que o teu blogue é um doce. E não sei se sabes nem se estás interessada, mas a CHiado Editora tem um desafio para poetas. :) Se estiveres interessada diz-me qualquer coisa que eu mando-te o que eles me mandaram :)
Beijinhooo
Não precisas de agradecer, acho que tens mesmo muito potencial :) Eu tenho isto no mail e eu acho que tenho o teu facebook, se quiseres posso mandar-te por la :)
Adoro a maneira como escreves, como todas as palavras encaixam umas nas outras e me levam a vivenciar uma realidade tão tua mas, de igual forma, tão minha.
Inspiras-me e, por isso, te agradeço.
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