Monday, January 27, 2014

rasgo as cortinas da unidade
surjo, ergo-me
invento-me ao regresso
da caverna. 
os escombros- o negrume de uma vida
o frio cortante do oculto,
do desprezado, rejeitado.
as minhas veias sao azuis,
mas nelas circula carvão.
a minha pele guarda
cem mil escritos
só a minha voz é um silêncio.
sou uma alma fragmentada,
sou um impeto impulso,
o incontornável incontrolável,
a obsessão.
Frieza sem podor, raiva.
saudade.
o meu nome era tons púrpura
de amargura e lirismo.
retorno, no meu melhor, ao meu pior.
convenço-me a estalar os medos
que alimento em paredes paradoxais.
por me odiar, consumo-me em adoração.
vivo nesse espelho que ela tanto teme olhar,
sou a parte dela que ela esconde.
dia a dia, um espasmo na consciência
convulsões metafísicas, doença.
deixem-me rir! 
enquanto ela tenta ignorar-me em vão.
porque ela sabe..
eu sempre estive aqui. 

violeta  d.c

5 comments:

han said...

tenho a pele arrepiada. tu, escritora, tu, menina desses vestidos incolor à vista desarmada, não és deste mundo.

Catarina Prata said...

O púrpura da tua mente rasga as sombras adormecidas da minha. És fantástica.

ann said...

Olá querida! Propus-te para um desafio no meu blog! Se aceitares avisa-me, para poder acompanhar.
xx, ann

Joana said...

nunca me canso de passar por aqui <3

Sophie said...

Numa palavra: perfeito. Tens o dom da poesia em ti e o teu blog transparece-me isso. A tua forma de ver o mundo e as coisas é algo de transcendente. Continua que há em ti a alma de uma poetisa