- André, já te contei como conheci a Cat?
- Não.
- Então foi assim:
Ela costuma entrar sempre mais cedo para o auditório,
right? Mas naquele dia o auditório estava cheio e ela teve de ficar cá
fora à espera, iamos para uma aula de escrita e ciencias. Então eu chego
à porta do auditório, não conhecia ninguém, estava a adoptar a minha
postura de 'odeio toda a gente' quando reparo numa rapariga num canto a
ler. Damn, finalmente uma pessoa que lê! Fiquei tão em choque que quis
ver qual era o livro, então discretamente tentei por-me ao lado dela,
mas nesse mesmo momento ela virou-me costas, não pude ver o título, mas,
em contrapartida, reparei que ela tinha um pássaro tatuado no ombro.
Oh, é longa a minha história com pássaros, mas o que é certo é que eles
têm um significado muito grande para mim. tanto pelo bom, como pelo mau
sentido. Acho que nesse momento, uma coisa qualquer deve ter caido do
universo em mim porque eu pensei "eu gosto dela. eu gosto realmente dela
e nem sequer a conheço. tampouco me importo.". Entretanto as pessoas começaram a entrar e sabes? é dificil eu gostar realmente de alguém,
isto é, alguém tocar o meu coração e deixar marca, e quando acontece
geralmente é assim- num ímpeto, tudo de uma vez só. e geralmente também
não me engano, deve ser um sexto sentido qualquer, ou sorte. mas quando
acontece, atiro-me de cabeça e entrego-me na totalidade, torno-me
absolutamente impulsiva. e foi assim, esperei que ela entrasse e
segui-a, quando ela se sentou esquivei-me por entre duas raparigas que
iam sentar-se ao lado dela e sentei-me eu. como quem não quer a coisa,
ainda agora não sei como tive coragem para tanto, porque no geral sou
tímida e não falo. Bom, aí pude ver qual era o livro que ela estava a
ler e mal queria acreditar que tinha encontrado uma rapariga que lia
clássicos. saiu-me a sorte grande. queria que ela reparasse em mim
também, queria saber o nome dela, queria aquela estrela na minha
colecção . Tirei o Grande Gatsby da bolsa e começei a ler e ela reparou,
raparigas que leem reparam sempre no que os outros estão a ler,
lembra-te disto. E não é que ela falou para mim? mais tarde, quando me
viu a escrever, disse: tens uma letra bonita. Céus, não estava a espera
de um elogio, fiquei tão envergonhada. Mas acho que a partir daí foi uma
espécie de amor inexplicável para as duas... sigh :')
- Nana, come on. Nana, comparado com isto, a minha história é ridiculamente aborrecida.
3 comments:
Deixa-me que te diga que sou como tu. À primeira vista, adopto a postura "não fales para mim, que não gosto de pessoas", nas assim que marco alguém, não vale a pena. E tenho esse "sexto sentido". Faço um raio-x às pessoas e muito, muito raramente me engano!
E também gosto de pessoas com livros. No comboio vou sempre a espreitar capas alheias na esperança de encontrar alguma compatibilidade de gostos.
Achei mesmo piada a este texto :)
Pequena, até hoje ainda não sei como isto aconteceu. Foi bom o auditório estar cheio, foi bom eu ter decidido que, nesse dia, ia levar um livro comigo, porque me sentia sozinha sem ele.
Foi bom, acima de tudo, que estivesses lá.
Como gosto de ti, e não sei porquê. Entretanto passam os meses, e cada vez mais gosto da tua maneira de pensar.
Se sou uma estrela, então espero que brilhes comigo, como o fogo de artifício que és.
Adoro-te.
Que bonita história, e que bom teres uma pessoa assim na tua vida <3
Post a Comment