Foi num tempo em que os teus ossos eram jardins de inverno cujas
árvores se despiram de folhagem, teus olhos revelavam troncos escuros e
não havia um único vestígio de primavera neles. Densas nuvens cobriam o
céu e pelas ruas, gotas de chuva que lembravam ritmos de Jazz- Ding Ding Ding, Tara-ta-tarara- e tambores
ao fundo, qual marcha, e nós, embebecidos nessa orquestra sinfónica.
Tão longe de nós próprios como perto um do outro. Das memórias, te levo
apenas o sopro, quente, que te envolvia em pequenas nuvens nas quais
mergulhava para te ter num abraço. Teus ossos jardins de inverno... e
eu, magma querendo derreter-te a pele. Foi num tempo assim que tentei
ver-me nos teus olhos, reflexo de ti, mas o seu brilho perdeu-se na
chegada lenta do calor de verão. Tudo o que pude ver foi um ébano seco e
nenhum verde musgo exorbitante. Agora, também já nem escuto qualquer
som, somente um eco que se perdeu da estação.
Raquel Gonçalves

9 comments:
Meu Deus, deslumbrante! <3
escreves tão, tão bem!
Já te segui, amo o blog, visita-me e se gostares segue de volta. :)
"Foi num tempo assim que tentei ver-me nos teus olhos, reflexo de ti, mas o seu brilho perdeu-se na chegada lenta do calor de verão. Tudo o que pude ver foi um ébano seco e nenhum verde musgo exorbitante." está lindo, lindo, lindo!
muito obrigada princesinha, vou seguir-te também
escreves maravilhosamente. já te disse imensas vezes mas é a mais pura das verdades
concordo com o que disseste do passado. infelizmente, em relação ao pior, é verdade
ohh , mas que amor pulsante que me chegou por este texto as pálpebras . e vibrou de forma reluzente . está magnífico .
digo-te uma coisa: é dos melhores blogs que eu já segui :) gostei muito.
eu estou aqui caso queiras seguir de volta http://goldendays2.blogspot.pt/ obrigada!
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