Entardecemos, entrelaçados nós.
Um sol diluído pelas paredes do quarto e caramelizado no meu cabelo- corpos desnudos, gotículas de suor, odores. Estendes-me a mão num areal de mantos, onde a sonolência é um único mar, de cristal, onde todos os sonhos estão ao alcance da pele.
Tacteando- sob a luz âmbar do entardecer, entrelaçados nós- encontras-me em curvas que nunca senti, vales, encostas, colinas de mim que ousas explorar. Tocas-me- seca eu, as tuas mãos parecem ter sede- vagueias à procura de rios, de água que te afogue em lumes brandos, e escalas o peito, a minha boca é um poço.
Tons de mel lentamente gelam os lençóis e, algures em céus arroxeados, acendem-se estrelas, humildes chamas das noites, cúmplices, ladras de pudores.
Anoitecemos, abraçados nós.
Iolanda Oliveira

1 comment:
e eu anoiteço sempre que tenho o prazer de te ler. tão belo, querida iolanda, tão doce.
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