Saturday, March 09, 2013

O tempo recua cerca de um ano, em padrões de memórias, evidentemente. O ar condensa e dilata e espreme-me, de entre os seios, a essência de saudade. Nunca entendi o que significava partir até ter ido embora, sem pensar sequer que não haveria regresso. Oh, o tempo condensa e dilata e o ar recua cerca de um ano, faz-se sentir abafado sob o presságio de uma trovoada, eléctrico e vibrante. Com um pássaro pousado no dedo, e penas no meu cabelo, chuva num olhar que não era o meu, mas que caía sobre canteiros dos meus jardins. Oh, que veneno escorre de mim agora e me imunda o corpo e o tom e, suspiro, que dói. Sabe-me a memória a bolo de noz e a café, porque a Susan me levara a lanchar num dia em que, ainda seca, eu estava realmente feliz, apenas porque podia observar as aves de perto e o sol ainda não se tinha ido, para não voltar.

1 comment:

han said...

poderia encher-me de horas a ler-te