Há cerca de seis ou sete meses atrás, numa tarde de Junho em que o céu caiu em colapsos de agonia e o meu coração se auto-mutilou em amor doentio, tu aproximaste-te de mim com nuvens brancas no olhar e paz no débil sorriso, e não foram necessárias palavras. Tocaste-me no rosto num carinho eterno. Foi a última vez que te vi. Ficaste preso algures nesse passado doce e mortífero de primavera e dias de chuva, mas usavas camisolas sem mangas e calções em Maio. O tempo, como uma corrente, alcançou-me e levou-me pelas suas profundezas, fazendo-me esquecer a tua voz, o teu cheiro e as tuas expressões, deixando um mero eco distante delas na retina da memória. Até que ontem, de certa forma, num expresso de recordações, voltaste desse passado para o meu presente, dizendo apenas: "parece que foi ontem".

2 comments:
que delicia te ler, anjo
que lindo lindo
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