Friday, December 14, 2012

Por vezes o chão falha-me dentro da minha própria cabeça e perco-me no abismo sem sentido, sem forma, conteúdo ou vazio, até que o tempo passe, os delírios acabem e as vozes se calem. É doloroso o que sinto, mas não quero que ninguém me oiça a sofrer e abafo tudo isso na almofada ou desfaço tudo isso debaixo das mangas compridas das camisolas. Falha-se-me o mundo, por vários motivos, ou por motivos nenhuns. E eu tenho um amigo, que acredita no amor, é um homem de fé, é um sonhador. Fez-me acreditar por dois segundos, o suficiente para voltar a esbarrar na mesma parede de sempre, naquela que criaste com uma estranha raiva no olhar que não entendo de onde veio. Se soubesse não teria tentado chegar de novo até a ti, e não me importo se te amo de qualquer das formas, mas tu não mereces o que sempre fiz por ti. Preferes viver nas mentiras que crias, mas nenhuma mentira dura para sempre pássaro, e o que é mais fácil terá um preço. Excluis-me da tua vida que por sinal não mudou assim tanto, reparo, mas olha só o que fizeste à minha... O meu amigo diz que tu, pássaro, ainda estás de viagem e que ainda não despertaste da ilusão. Mas eu digo que nesse dia, talvez eu, rã, não esteja no lago à tua espera. Talvez nesse dia tenha desistido de fugir das grandes paixões para garantir um pequeno, pequeno grande amor.

Violeta

5 comments:

Aurora said...

Não me canso de te ler. És maravilhosa

Anonymous said...

tu escreves lindamente* está lindo, lindo, lindo!

han said...

às vezes, temos de saltar do nosso charco e apanhar a estrada, seguir viagem, sermos empurrados pelo coração.

Cláudia S. Reis said...

Que texto lindo. Por vezes, o melhor é mesmo não esperar por quem nos deixou para trás. A felicidade está onde a procurarmos. Força!

han said...

só não quero que te percas por ficares, ainda que te entenda, tão, mas tão bem..