Thursday, November 15, 2012



 Nós podíamos ter tido tudo, podíamos, como uma casa a abarrotar de livros e citações escritas nas paredes. Onde pudéssemos ler um para o outro junto de uma lareira acesa até adormecermos em frente ao calor, ou então, simplesmente "curtir o frio" à varanda, em pleno inverno. Eu cozinharia estranhos pratos vegetarianos e depois serias tu a arrumar a cozinha como combinado. Teríamos um cão, um beagle, chamado Dylan e um gato chamado Bob. Podíamos ouvir Jazz durante toda a manhã e música clássica ao jantar e à tarde podíamos dançar como doidos ao som de algum Rock pesado ou Punk. Haveria sempre chá para dois e dois para o chá. Íamos tomar banho juntos, como se fôssemos duas crianças sem pudores, e íamos ler na banheira poetas mortos que viveriam sempre nos nossos corações. Certamente que teríamos discussões sobre qual que nós é o comunista e qual de nós é o anarquista, como era costume nosso, noutros tempos de amor. Depois, tu escreverias à luz de uma vela com uma pena e eu apenas ver-te-ia fazer isso, em silêncio. Podíamos passear o cão pelo rio e partilhar um gelado. Podíamos beijar-nos à chuva e fazer amor na alcatifa que estaríamos sempre a aspirar, encharcando-a de delitos apaixonados. Dar as mãos e mergulhar ao mesmo tempo no mar seria o nosso cliché preferido. Os nossos filhos teriam nomes estranhos, e eu apresentar-lhes-ia o Principezinho e tu o grande Aslan antes de eles irem dormir. No nosso quarto, com papel de parede cinzento, o teu baixo descansaria perto da janela acompanhado da minha guitarra, simbolizando a música harmoniosa que poderíamos ser. Se quisesses. Não entendo porque preferiste voar para longe e deixar-me aqui sozinha sem um lugar para onde ir, sem um sentido, destruindo os sonhos que não eram só meus, mas também teus! Julgavas-me forte, mas na verdade sou tão forte como uma árvore centenária, que cai, cai por não resistir à tempestade, árvore essa que, uma vez tombada, não se volta a erguer. Tenho saudades tuas meu pássaro mecânico, e tu esqueceste-te de me dar corda.

2 comments:

Aurora said...

És de letras, adoro imenso

Aurora said...

Ora essa, querida