És o gosto a
baunilha entre os destroços das lágrimas de ontem. Como se as minhas palavras
fizessem sentido quando eu não espero que façam e tampouco espero que
compreendam metáforas soltas e frases sem pontuação. Nem quero saber, escrevo o
que me apetecer. De um suspiro gelado surgiu uma torrente de lágrimas
inconsoláveis e pulseiras vermelhas que ninguém vê. Entre rimas que me
condicionam e teclas de máquina de escrever, cansei-me! O CD do Paul McCartney e
os dois livros que me ofereceste no meu aniversário foram arrumados no fundo do
armário onde não os possa ver, juntamente com uma data de coisas parvas que me
fazem lembrar de nós, protegidos num saco de plástico, tal como o amor que
quiseste adiar. Um dia vou tirá-los de lá.
E ouvia The Strory no carro quando me apercebi
de uma certeza, que não é esperança. Não se tem esperanças em certezas. Não
abri a janela mas senti um frio na cara. O inverno chegou. Há um buraco na
estante do quarto que não voltará a ser preenchido. Eu disse-te que tinha
pessoas guardadas em estantes e tu não percebeste. Eu fui feita para ti. E tu
encaras o chão porque é mais fácil e não te dói, porque eu doo-te e tu ignoras
a dor. Então finges que estás bem, mas estás tão ou mais desfeito do que eu. Amo-te.
O pássaro de corda viu Ninguém e Ninguém viu o pássaro. E o silêncio de Ninguém lembrou ao pássaro de uma conversa há muitos anos atrás, num lago, entre uma pequena rã curiosa e um jovem pássaro sonhador. E o pássaro voltará ao velho lago onde nos conhecemos. Passados muitos anos, já velho e cansado, com as suas penas alvacentas outrora ébano e brilhantes. Com os olhos cansados, outrora vivos e cheios de sonhos. O sol estará a pôr-se e o amor estará á espera de acontecer. Era essa a minha certeza.
O pássaro de corda viu Ninguém e Ninguém viu o pássaro. E o silêncio de Ninguém lembrou ao pássaro de uma conversa há muitos anos atrás, num lago, entre uma pequena rã curiosa e um jovem pássaro sonhador. E o pássaro voltará ao velho lago onde nos conhecemos. Passados muitos anos, já velho e cansado, com as suas penas alvacentas outrora ébano e brilhantes. Com os olhos cansados, outrora vivos e cheios de sonhos. O sol estará a pôr-se e o amor estará á espera de acontecer. Era essa a minha certeza.
Violeta

4 comments:
dizem que os textos mais tristes são os mais bonitos de se ler...
gostei muito, está lindo. sigo.
"és o gosto a baunilha entre os destroços das lágrimas de ontem" - gostei muito da forma como criaste esta frase, a nostalgia dela :)
acredito :)
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