Friday, October 26, 2012



  
   És o gosto a baunilha entre os destroços das lágrimas de ontem. Como se as minhas palavras fizessem sentido quando eu não espero que façam e tampouco espero que compreendam metáforas soltas e frases sem pontuação. Nem quero saber, escrevo o que me apetecer. De um suspiro gelado surgiu uma torrente de lágrimas inconsoláveis e pulseiras vermelhas que ninguém vê. Entre rimas que me condicionam e teclas de máquina de escrever, cansei-me! O CD do Paul McCartney e os dois livros que me ofereceste no meu aniversário foram arrumados no fundo do armário onde não os possa ver, juntamente com uma data de coisas parvas que me fazem lembrar de nós, protegidos num saco de plástico, tal como o amor que quiseste adiar. Um dia vou tirá-los de lá.
   E ouvia The Strory no carro quando me apercebi de uma certeza, que não é esperança. Não se tem esperanças em certezas. Não abri a janela mas senti um frio na cara. O inverno chegou. Há um buraco na estante do quarto que não voltará a ser preenchido. Eu disse-te que tinha pessoas guardadas em estantes e tu não percebeste. Eu fui feita para ti. E tu encaras o chão porque é mais fácil e não te dói, porque eu doo-te e tu ignoras a dor. Então finges que estás bem, mas estás tão ou mais desfeito do que eu. Amo-te. 
  O pássaro de corda viu Ninguém e Ninguém viu o pássaro. E o silêncio de Ninguém lembrou ao pássaro de uma conversa há muitos anos atrás, num lago, entre uma pequena rã curiosa e um jovem pássaro sonhador. E o pássaro voltará ao velho lago onde nos conhecemos. Passados muitos anos, já velho e cansado, com as suas penas alvacentas outrora ébano e brilhantes. Com os olhos cansados, outrora vivos e cheios de sonhos. O sol estará a pôr-se e o amor estará á espera de acontecer. Era essa a minha certeza.
                                                                                                                             Violeta

4 comments:

tatiana said...

dizem que os textos mais tristes são os mais bonitos de se ler...

Anonymous said...

gostei muito, está lindo. sigo.

tatiana said...

"és o gosto a baunilha entre os destroços das lágrimas de ontem" - gostei muito da forma como criaste esta frase, a nostalgia dela :)

tatiana said...

acredito :)