vejo-te serenamente com os meus olhos cerrados
tão longe e ainda tão perto, surge-me a ideia de te tocar
que se desfaz
nessa distância onde eclodem rumores de um doloroso silêncio ~
~ aí, flutuam penas, plumas que se libertam do meu corpo cansado ~
como uma muda de penugem, de pele, de postura
liberta-se uma híbrida serpente alada,
chama-me e diz: eu sou a tua alma.
desloco-me entre um voo-rastejo até à tua imagem que permanece bela
todos estes anos
e se arrepia à minha mudança
estou irreconhecível e ainda assim idêntica.
dos teus olhos escorre um soro.
penso-te sem distância ou memória,
secretamente, uma assinatura de eternidade, meu k.
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