sei que houve um tempo em que alguém me dizia
que a poesia era uma arma,
com futuro por dentro.
falavam dela como de um engenho,
um bisturi dissecando o tempo, a sorte.
e a sabedoria entranhada em cada sílaba
era a magia e o forte
que barravam o vazio, o frio, fome
e a ignorância.
sete cavalos correndo sobre as águas
de um vermelho salgado e místico,
buscando a verdade e a mentira
na mesma gota de cristal.
sobre um vento nórdico de mitos celestes,
sobre a inconsciência plantada em terras distantes,
sobre conventos seculares de amores proibidos,
havia sempre um pincel riscando os relógios.
nesse tempo, houve alguém que dizia
que ela era o ar que respiramos,
mas que era também a dor,
a mágoa cinzenta de invernos passados-
ainda doloridos.
mas era nessa chama de sorte ou azar
que as aves do amor ganhavam forma
e vinham instalar-se no interior de nós,
mantendo a poesia acesa.
e agora há quem escute ou sinta,
agora há quem cante ou escreva,
porque em tempos alguém dizia
que era fado segredo,
que era a morte e que era a vida.
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