És como um pequeno botão de rosa à espera de florescer nos
canteiros do meu jardim. Tens toda a frescura de uma manhã e a delicadeza das
pétalas encarnadas que vão beijando o chão antes do anoitecer. Tenho sempre o
cuidado de podar as minhas roseiras e enquanto o faço penso em ti. No meu
jardim, as flores nunca morrem e renascem com a aurora. Falo-lhes de ti, de
como cheiras bem e de como és uma delas. Sinto por ti um carinho que desconheço
e tu és tão única e és tão tu que não quero ficar sem ti. És a flor mais
especial do meu mundo e a mais bela delas todas. Depois, enquanto leio contos à
Lua e aqueço o chá tu bates à porta, mas não esperas que a abra porque tu és da
casa e tens a chave. Sentas-te comigo à janela e deitas a língua de fora à Lua
porque a achas feia e és tão tonta que rebento a rir. Dás-me a mão e imitas um
gato a ronronar, o Kafka olha-te e
pede-te colo. O meu monstrinho gosta de ti. E tu sorris com a inocência de uma
criança e quando tu estás, tudo está bem, e o mundo é verde e azul claro, e é
rosa e amarelo e é alegre. Então, peço-te que voltes amanhã e digo-te que te
amo, porque tu és a minha pequena irmã, mas és sempre tu quem toma conta de
mim. E não existe nada mais importante neste jardim, ou noutro qualquer, do que
tu.

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